CRÍTICA | “Era Uma Vez Minha 1ª Vez” não é para mim… e tudo bem

O TRCUThalita Rebouças Cinematic Universe — ganha mais uma adaptação para compor seu multiverso. Era Uma Vez Minha 1ª Vez, livro lançado há 15 anos, ganhou sua versão cinematográfica dirigida por Claudia Castro, que já comandou outro filme do TRCU, Ela Disse, Ele Disse.

Com estreia marcada para esta quinta-feira, 17 de setembro, nos cinemas brasileiros, o filme teen acompanha o último ano do ensino médio de quatro amigas: Teresa, Clara, Tuca e Patty. Com a expectativa de viver aquele ano ao máximo, elas decidem perder a virgindade a qualquer custo.

A produção promete uma narrativa sensível sobre expectativas, amizade e o limite entre a pressa e a descoberta. Mas será que consegue ir além da fórmula já conhecida do universo cinematográfico de Thalita Rebouças?

Era Uma Vez Minha 1ª Vez repete a fórmula do TRCU

Com menos de uma hora e meia de duração, Era Uma Vez Minha 1ª Vez repete boa parte da fórmula estética e narrativa dos filmes do TRCU. Novamente, acompanhamos um grupo de adolescentes enfrentando dilemas próprios da idade — neste caso, a vida sexual — enquanto descobrem seus limites pessoais.

Contudo, tudo isso aparece revestido por um texto superficial e, em alguns momentos, até mesmo fútil. E não digo isso com desdém ou como demérito. É apenas uma observação sobre a maneira como o filme tenta conversar com seu público-alvo: sem exigir que ele pense muito além do que está sendo apresentado em tela.

Isso não significa que a produção seja necessariamente ruim. Existe uma clareza bastante evidente sobre para quem Era Uma Vez Minha 1ª Vez está falando. O filme sabe qual público quer alcançar e constrói sua narrativa de maneira acessível, direta e didática.

O elenco feminino demora, mas engata

O filme conta com muitos rostos novos, mas também com bons desempenhos. É o caso de Castorine, que interpreta uma das protagonistas, Clara.

A atriz esbanja carisma e naturalidade, ajudada por um roteiro que impede que sua personagem caia em estereótipos retrógrados relacionados a uma menina gorda. Clara não existe apenas para ocupar esse lugar dentro da história, e isso é um ponto bastante positivo.

Suas colegas de tela, Lívia Silva, Letícia Braga e Duda Matte, que vivem Tuca, Teresa e Patty, respectivamente, também agregam de maneira muito positiva à dinâmica da amizade.

Apesar de alguns momentos soarem artificiais e até forçados, principalmente no início da trama, a relação entre as quatro vai se afinando ao longo do filme.

Por outro lado, é preciso ressaltar que Duda Matte fica completamente de escanteio na história. Enquanto as outras três protagonistas possuem jornadas individuais, sua personagem acaba sendo a “Suíça” do grupo: serve como apoio emocional e terreno neutro para a reconciliação das meninas.

O elenco masculino funciona como apoio à história

Quanto ao elenco masculino, não me levem a mal: Cauã Martins, JP Rufino e Caian Zattar são bons acessórios narrativos, mas não se destacam para além das funções que o roteiro lhes atribui.

Os personagens estão ali, principalmente, para gerar algum tipo de comoção ou movimentar as jornadas das protagonistas. E, quando dividem a tela com as meninas, as atrizes acabam engolindo os colegas em cena.

É inquestionável como a direção cede espaço para construir uma narrativa que celebra o feminino e, principalmente, o elo de amizade entre as quatro garotas. Nesse sentido, o filme entende muito bem qual é o seu centro.

Era Uma Vez Minha 1ª Vez é a Malhação de uma nova geração?

O questionamento que fica ao fim é: seria o universo cinematográfico de Thalita Rebouças a Malhação da nova geração?

Seriam esses filmes uma espécie de “escola de atores”, capazes de revelar novos nomes para o nosso audiovisual? Ou até mesmo apresentar ex-atores mirins a um novo público?

Bem, pelo menos o papel de construir um diálogo com a audiência mais jovem, abordando tópicos recorrentes dessa fase da vida, tal qual a novela da Globo fazia, o TRCU está cumprindo.

Vale a pena assistir a Era Uma Vez Minha 1ª Vez?

Era Uma Vez Minha 1ª Vez pode funcionar muito melhor quando conversa diretamente com seu público-alvo. Com uma narrativa fácil de compreender e uma didática clara e cuidadosa, o filme me faz pensar que minha versão de 15 anos adoraria assisti-lo em uma tarde com minhas amigas.

Mas minha versão de 30 anos, não.

E talvez isso seja menos um problema do filme e mais uma questão de perspectiva. Era Uma Vez Minha 1ª Vez não parece interessado em conversar com quem já passou dessa fase. Ele quer falar com quem está vivendo esses dilemas pela primeira vez — e, para esse público, sua simplicidade pode ser justamente seu maior acerto.

No fim, o filme cumpre aquilo que se propõe: apresenta uma história adolescente sobre amizade, descobertas e sexualidade de maneira leve e acessível. Não é uma produção que pretende revolucionar o gênero ou provocar grandes reflexões, mas pode ser uma porta de entrada confortável para adolescentes que ainda estão tentando entender os próprios limites.

Nota: 2,5/5

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