CRÍTICA | A Última Casa é um dos piores filmes da Netflix?

É inacreditável pensar que Wagner Moura e Greta Lee foram do céu ao inferno, do Oscar/Globo de Ouro a A Última Casa, uma das produções mais vergonhosas e pavorosas do ano na Netflix. Sob a direção do francês Louis Leterrier, o filme tenta beber de diversas referências do horror de ficção científica, como Um Lugar Silencioso, e até mesmo da nossa própria realidade durante os árduos anos de isolamento da pandemia. Contudo, A Última Casa denuncia sua qualidade cinematográfica já nos minutos iniciais, deixando a desejar na fotografia, na história e, principalmente, nas atuações.

A Última Casa acompanha Ann (Greta Lee), Jason (Wagner Moura) e seus dois filhos, que ficam misteriosamente confinados dentro da própria casa. Enquanto uma ameaça desconhecida transforma o lar em uma prisão, a família enfrenta a escassez de recursos e o crescente desespero. Com a tensão aumentando, eles começam a desconfiar de que a única saída pode estar dentro da própria residência.

A atuação é um dos maiores problemas de A Última Casa

Com longos e torturantes 1h50 de duração, A Última Casa é miserável em tudo o que se propõe a fazer. Mas vamos começar pelo problema mais latente: a atuação.

Nunca na minha vida fui capaz de imaginar que Wagner Moura, vencedor do Globo de Ouro de 2026 por Melhor Ator por O Agente Secreto, fosse capaz de atuar de maneira tão inacreditavelmente ruim. O ator parece consciente da câmera o tempo todo e performa diretamente para ela. A naturalidade e a fluidez escorrem pelo ralo logo nos minutos iniciais.

Ele posa demais e tenta, a todo momento, recriar aqueles momentos intensos de filmes apocalípticos, como se fosse o grande herói de uma jornada fadada ao fracasso. A direção de Leterrier foi tão pecaminosa que conseguiu afetar um dos maiores talentos brasileiros da atualidade.

Quanto à sua parceira de tela, Greta Lee, não há muito o que dizer, pois ela não se destaca em nada. É apenas insossa. Talvez o único destaque positivo seja o elenco infantil, composto por Emma Ho e Noah Alexander Sosnowski, que entregam o mínimo de bom, mas, diante de tamanha atrocidade, parecem diamantes.

A Última Casa desperdiça uma boa premissa

Vale mencionar que este trabalho também representa um reencontro de dois profissionais que passaram pela Marvel. Enquanto o diretor francês foi responsável por O Incrível Hulk, o roteirista Matthew Robinson trabalhou em Vingadores: Era de Ultron e Thor: O Mundo Sombrio — o que já explica muita coisa, certo?

O passado dos dois profissionais em uma empresa acostumada a lidar com histórias grandiosas parecia um bom presságio para lidar com uma ameaça misteriosa neste filme. Contudo, parece ter surgido justamente o efeito contrário.

Tanto a direção quanto o roteiro não souberam lidar com o mais básico que um filme precisa ter: ser eficiente ao contar uma história clara e coesa.

O filme é simplesmente uma bagunça inexplicável. A família se contenta muito facilmente com a nova realidade. Não existe um sentimento humanitário de desespero, desconfiança, medo ou pavor diante do desconhecido. Tudo parece natural e cotidiano para eles.

Quando acontece o time skip de cinco anos, a situação parece piorar. O filme fica ainda mais confuso porque não possui identidade. Ele surge como uma colcha de retalhos de tudo o que poderia ter sido.

O filme desperdiça o horror do isolamento

O sentimento de isolamento social não funciona em nenhuma escala. E isso é uma pena, porque, com uma experiência tão recente quanto a pandemia de COVID-19, A Última Casa tinha na bandeja o horror mais palpável e reconhecível.

A claustrofobia, a sensação de que o espaço já não é mais suficiente para você, o medo de nunca mais sair daquela situação, a impressão de que os dias duram anos… Absolutamente nada disso sequer passa pelos olhos dessa direção pavorosa.

E é justamente aí que A Última Casa mais decepciona. A premissa tinha potencial para transformar uma experiência que todos conhecemos em um terror psicológico muito mais próximo e angustiante. Em vez disso, o filme parece perdido sobre qual história quer contar.

Vale a pena assistir a A Última Casa?

A Última Casa foi uma das experiências mais vergonhosas que tive dentro do catálogo da Netflix. Eu contava cada segundo para a história acabar. E, ao fim, quando o filme tenta insinuar que há mais história por vir, me senti como uma palhaça.

Nota: 1/5

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