Depois de anos de engavetamentos, cancelamentos e descancelamentos, o filme protagonizado por Willy E. Coyote vê a luz do dia (ou das telas de cinema). Coyote vs. ACME traz de volta o formato híbrido que mistura live-action e animação, que ficou marcado por Space Jam e Uma Cilada para Roger Rabbit.
O filme é dirigido por David Green (As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras) e conta com as presenças de John Cena e Lana Condor. No filme, após vários incidentes com os produtos ACME na sua caçada ao Papa-Léguas, o Coyote decide contratar um advogado de porta de cadeia para processar a empresa.
Coyote vs. ACME é mais do que um filme que quase foi engavetado
Talvez o seu debut no Rotten Tomatoes com 100% de aprovação tenha sido um leve exagero. A verdade é que a história dos bastidores engrandece bastante Coyote vs. ACME, mas, mesmo com essas ressalvas, podemos, sim, dizer que é um grande filme.
Em termos técnicos, o longa não traz inovações. Ele faz o que outros filmes que utilizam esse formato híbrido já fizeram, mas com uma qualidade mais refinada. O roteiro, em termos de trama e reviravoltas, também não é grandioso, e alguns arcos vão até em caminhos costumeiros. O que mais realça os olhos em Coyote vs. ACME é a sua temática e como ele aborda esses pontos.

A premissa de Coyote processando a ACME é genial
Venhamos e convenhamos, a premissa por si só do Coyote processando a ACME pelos aparelhos defeituosos é genial. O filme ainda cresce isso ao colocar a camada de uma grande corporação que explora “seres inferiores” em função do seu lucro. Como já dito, a trama cresce ainda mais se levarmos em conta os bastidores do filme.
O filme deveria ter sido lançado em 2023 pela Warner Bros., porém a produtora decidiu engavetar o longa (mesmo já finalizado) para abatimento de impostos. Só com uma forte pressão do público foi que a Warner autorizou que os produtores procurassem outro estúdio para lançarem o filme. Em 2025, a Ketchup Entertainment comprou os direitos de Coyote vs. ACME por cerca de 50 milhões de dólares para o lançamento comercial.

A violência como recurso de comédia
Uma outra camada que o filme inclui é o uso da violência enquanto artifício para a comédia. Quem cresceu assistindo a Looney Tunes, principalmente aos desenhos clássicos, se acostumou com piadas de agressão, explosão e afins. Realmente, são situações que nos levam a dar gargalhadas, mas será que não existem outros artifícios possíveis para explorar esses personagens?
Atuar ao lado de uma animação também é um desafio
Em uma era cheia de CGI, tela verde e afins, parece que é fácil atuar ao lado de uma animação, mas é um desafio. Todo o elenco encara bem esse desafio, principalmente Will Forte, que interpreta Kevin Avery. Will contracena durante quase todo o longa com o Coyote, que, além de ser um personagem animado, também não utiliza falas, precisando de uma química ainda mais forte.

Coyote vs. ACME acerta ao equilibrar nostalgia e originalidade
Coyote vs. ACME traz uma trama bem promissora e sabe cuidar bem dela. Regado de piadas e referências aos Looney Tunes, o filme não se perde na nostalgia e cria um universo coerente para o filme, fazendo a narrativa andar sem desgaste devido a essas referências. Obviamente, o filme vai impactar mais fortemente aqueles que têm uma relação com a turma animada da Warner, mas nada que afaste também outros espectadores.
Coyote vs. ACME conseguiu fazer jus ao clamor popular. Tanto pela trama quanto pela sua qualidade, deixou a Warner com um asterisco em cima das suas decisões corporativas e tem tudo para conquistar o público. O filme entrega uma boa comédia, um bom drama e uma relação bastante fluida entre live-action e animação.









