Pequenas Criaturas: Carolina Dieckmann e elenco refletem sobre o filme

Diretora e elenco de Pequenas Criaturas fala sobre pertencimento, esperança e os recomeços do filme

Há filmes que na simplicidade nos fazem revisitar a própria vida. Pequenas Criaturas, novo longa de Anne Pinheiro Guimarães, parece seguir justamente esse segundo caminho.

Durante entrevista à Tribernna, a diretora e o elenco refletiram sobre os temas que atravessam o filme, como pertencimento, família, maternidade, esperança e as pequenas experiências que acabam moldando quem somos.

Das memórias pessoais a uma história universal

Grande parte da força emocional de Pequenas Criaturas nasce de experiências pessoais de Anne Pinheiro Guimarães. Segundo a diretora, o ponto de partida surgiu quando ela se tornou mãe e passou a enxergar sua própria infância — e a própria mãe — por uma nova perspectiva.

“A ideia do filme nasceu assim que eu tive a minha primeira filha. Eu comecei a pensar muito na maternidade. Eu já tinha perdido a minha mãe, então senti muita falta dela naquele momento em que virei mãe.”

A partir dessa experiência, Anne percebeu que também estava revisitando a infância.

“Eu comecei a pensar na minha mãe como mulher. Sempre pensei nela como mãe. Olhando para minha filha, comecei a pensar em criança, nas minhas histórias de criança. Tentei imaginar o que minha mãe passou em momentos importantes junto com o que eu passei, esses pequenos momentos que marcam a nossa vida toda.”

O resultado é um filme profundamente íntimo, mas que consegue transformar lembranças particulares em sentimentos reconhecíveis para qualquer pessoa.

Uma personagem marcada pela dor, mas guiada pela esperança

Na trama, Carolina Dieckmann interpreta Helena, uma mulher que precisa reconstruir a própria vida em uma cidade desconhecida enquanto tenta cuidar dos filhos.

Durante a conversa com a Tribernna, a atriz explicou que encontrou na personagem algo diferente dos dramas que costuma interpretar.

“Eu gosto de drama. É o meu gênero favorito. Eu gosto de falar das dores. Mas acho que a Helena me deu a oportunidade de falar de esperança.”

Segundo Carolina, a jornada da personagem nunca abandona o sofrimento, mas aprende a enxergá-lo sob uma nova perspectiva.

“É colocar essa dor em perspectiva. Ela vai se iluminando aos poucos. Acho que, no final, a gente deixa uma lição de esperança.”

Essa leitura dialoga diretamente com a proposta do filme: mostrar que recomeços não eliminam a dor, mas podem abrir espaço para novas possibilidades.

Quando o personagem encontra a própria experiência

Para Théo Medon, interpretar André também significou revisitar experiências pessoais.

Na entrevista, o ator contou que viveu mudanças semelhantes às do personagem ao deixar o Rio de Janeiro para morar em São Paulo ainda muito jovem.

“Eu compartilho muito com o André essa sensação de desamparo, essa sensação de não pertencimento.”

Segundo ele, essa vivência foi essencial para construir o adolescente introspectivo que vemos em cena.

“A gente, enquanto ator, traz as nossas próprias experiências para o personagem. Durante as gravações, acho que fui mais André do que Theo.”

Theo também destacou que o processo exigiu uma imersão emocional intensa.

“Foi um personagem muito sensível, muito delicado de trabalhar. Essas experiências pessoais me ajudaram a deixar ele mais crível, mais perto de mim.”

Ao definir o filme em uma palavra, o ator escolheu “família”.

“Não só a família convencional. A família do filme é meio desregulada. Acho que o filme fala sobre as formas de família e sobre encontrar essa relação com outras pessoas e outros lugares.”

As possibilidades que aparecem pelo caminho

Na história, o personagem de Caco Ciocler surge justamente quando Helena atravessa um momento decisivo.

Para o ator, Carlos representa todas as oportunidades que aparecem ao longo da vida e que continuam ecoando na memória mesmo quando não são vividas.

“Ele representa essas possibilidades de história que acontecem na nossa vida. A gente sempre pensa: ‘E se eu tivesse ido com aquela pessoa? Feito aquela viagem? Apostado naquele caminho?'”

Segundo Caco, o personagem simboliza exatamente essas escolhas que nunca deixam de existir.

“Ele traz uma possibilidade num momento difícil para ela. Não acontece nada, mas fica aquela pergunta: ‘Será que eu deveria ter ido com esse cara?'”

Quando convidado a definir o longa em uma palavra, o ator escolheu “intervalos”, reforçando a ideia de que são justamente os momentos entre uma decisão e outra que transformam uma vida.

A leveza da infância

Enquanto os adultos carregam o peso das escolhas e dos recomeços, Lorenzo Mello representa a leveza da infância.

Questionado sobre o que tinha em comum com Dudu, o ator respondeu sem pensar duas vezes:

“Bagunceiro. Demais.”

Já para definir o filme, escolheu uma palavra simples, mas que sintetiza perfeitamente o olhar infantil da narrativa:

“Aventura.”

Talvez seja justamente essa a principal força de Pequenas Criaturas: mostrar que uma mesma mudança pode significar solidão, esperança, pertencimento ou aventura, dependendo dos olhos de quem a observa.

Ao final da entrevista, Anne Pinheiro Guimarães, Carolina Dieckmann, Caco Ciocler, Theo Medon e Lorenzo Mello convidaram o público da Tribernna para assistir a Pequenas Criaturas nos cinemas a partir de 23 de julho.

Leia a nossa crítica aqui.

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