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CRÍTICA | “Spiderhead” e a falsa promessa de um filme de ficção científica

ATENÇÃO: A crítica a seguir pode conter spoiler

Não é de se espantar que Spiderhead, o novo queridinho da Netflix, entrasse no catálogo do streaming na badalada sexta-feira (17), e já estreasse no TOP 10 de filmes mais assistidos. Apesar de ter um trailer intrigante e com algumas promessas de brincar com o comportamento humano através do uso de ficção científica, Joseph Kosinski mirou em uma espécie de terror psicológico onde o vilão é a ganância do ser humano. E claro, não deixando de lado a carona na atual fama de Miles Teller com Top Gun

A história gira em torno do projeto Spiderhead, comandado pelo cientista Steve Abnesti (Chris Hemsworth), ela é uma adaptação do escritor George Saunders conhecida por Escape From Spiderhead. Basicamente o espaço reúne criminosos para uma bateria de testes com medicamentos desconhecidos, o que sabe-se desses remédios, é que de alguma forma eles mexem com o psicológico do ser humano, fazendo com que se tenha medo de um ser inanimado (como um grampeador), ou manipular suas emoções a tal ponto que faz a pessoa ter um desejo sexual intenso em uma pessoa que ela nunca viu na vida. Steve é o típico cientista maluco que se perde no meio do experimento, sua ganância em manipular alguém ultrapassa todos os limites do que seria considerado normal no estudo. Hemsworth lembra um pouco o jeito insano de Lex Luthor com um humor peculiar e uma carga emocional que poderia ter sido melhor explorada, o personagem desenvolveu bem o contexto de quais limites a curiosidade de um pode ser fatal para outros.

Jeff (Miles Teller) é o escolhido da vez para fazer novos testes com outras dosagens das drogas B.I.N.G.O, assim como todas as outras pessoas do projeto, ele possui um passado criminoso (que envolve o looping de uma cena MUITO bem feita e que teve grande peso na nota que dei no final desta crítica) e reside no local como se fosse um tipo de acampamento para detentos, no máximo de conforto e liberdade que uma ilha deserta pode proporcionar.

Spiderhead não teve um show de atuação, mas a equipe deu o máximo para dar vida ao drama e suspense criando uma ponte para o clichê final, em alguns momentos o personagem de Miles chegava a ser ambíguo no que dizia e/ou fazia e não ficou claro se era proposital do roteiro ou apenas uma falha de continuidade.

Em suma é um filme ok, com bons efeitos visuais, apesar de ser o típico “filme da pandemia”, com apenas 3 ou 4 cenários distintos, a fotografia futurística do espaço se encaixa com o que é proposto no roteiro, as coreografias poderiam ser melhores e a história deixa a desejar, apesar das pontas soltas, o final segue a linha do esperado desde o começo, sem muitas surpresas e com uma tentativa falha de comédia para quebrar a tensão em alguns momentos.

Nota: 3/5

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