Depois de anos deixando o amargo da decepção nos fãs, a Marvel promete recompensá-los com uma aventura de assassinos do MCU em uma jornada rumo ao tão sonhado heroísmo. Mas será que ela realmente consegue com Thunderbolts?
Em Thunderbolts, um grupo de anti-heróis com passados turbulentos é forçado a trabalhar junto em uma missão secreta do governo. Liderados por Yelena Belova, eles enfrentam seus traumas enquanto lidam com tarefas moralmente duvidosas. Unidos por obrigação e não por escolha, eles podem tanto encontrar redenção quanto se autodestruir.

Com um pouco mais de duas horas de duração, o longa dirigido por Jake Schreier (conhecido pelo seu trabalho na série Treta) tem a intenção de juntar todas essas personalidades conflituosas em uma equipe fadada ao fracasso. Assassinos com traumas passados (e presentes) são forçados a entrar em uma missão suicida, encontrando nos outros o único modo de sobreviver.
Apesar dessa breve introdução, Thunderbolts é um filme sobre Yelena Belova (Florence Pugh) e deveria ser renomeado para Yelena e Sua Turma. Todo o arco narrativo é construído com a finalidade de explorar toda a dor, o vazio, a solidão e os conflitos com o passado da personagem – e, principalmente, sua jornada íntima de superação. Todos os demais integrantes do grupo de anti-heróis são seus coadjuvantes (alguns atuando até como figurantes).

Florence Pugh aproveita o protagonismo que nunca foi dado à sua irmã da ficção. Ela se delicia com o drama de Yelena, mergulha de cabeça no humor entre pai e filha com David Harbour, dita o ritmo do longa enquanto também lidera a trajetória do grupo e, por fim, entrega monólogos sentimentais, intensos e dignos de um protagonismo que ela agarrou com unhas e dentes.
Por outro lado, se Pugh brilha em Thunderbolts, todo o resto acaba sendo ofuscado eventualmente por seu protagonismo. Sebastian Stan é o mais prejudicado entre o elenco. O ator indicado ao Oscar de 2025 simplesmente se torna um figurante, mesmo sendo o personagem mais antigo entre os demais. Sua trajetória no filme é cortada ao meio, interrompida por uma série de coincidências que o deixam sem voz ativa, servindo apenas para uma cena realmente boa que deixa os fãs do Soldado Invernal saudosistas.

Isso não quer dizer que o elenco tenha sido uma péssima escolha. Pelo contrário, Stan, Harbour, Wyatt Russell e Hannah John-Kamen tiram o melhor do tempo de tela que têm, entregando o pouco da dramaticidade quando lhes é exigido, bem como nas cenas de ação, que apostam muito mais em coreografias e efeitos práticos (ainda bem!). Mas, infelizmente, são vítimas do roteiro de Lee Sung Jin e Joanna Calo, que determinaram desde o começo que apenas Florence Pugh teria o desenvolvimento necessário para se tornar o pilar da trama.
Ademais, urge a necessidade de também elogiar o roteiro, que traz um novo tipo de maturidade ao MCU. Apesar de manter o humor característico da marca, a história de Thunderbolts levanta a bandeira do cuidado da saúde mental. Seja através de Yelena, Bob ou até mesmo dos outros membros da equipe, a história explora águas desconhecidas pela Marvel até então. É respeitosa ao lidar com analogias, separa “momentos terapia” para criar vínculo e emoção com o público, ao mesmo tempo que desenvolve o drama da narrativa. O drama, nesse sentido, é tão bem apurado que não importa qual seja o tipo de transtorno mental sendo abordado: o discurso abrange a tentação de se entregar ao vazio e a necessidade de verbalizar o pedido de ajuda. E é aqui que você entende por que Yelena foi escolhida como a grande protagonista (apesar de que Bucky também seria ótimo, hein?).

Após uma sequência de lançamentos medíocres ou vergonhosos, Thunderbolts tem a façanha de, ao menos, sair bem ao fim. Entrega boas cenas de luta, relações bem construídas, um antagonismo à altura dos anti-heróis e um desfecho que norteia os próximos passos do MCU.
Contudo, preciso ser honesta: Thunderbolts não vem para salvar o MCU, nem para mostrar que Kevin Feige voltou ao seu auge. A produção, na verdade, procura refúgio nos moldes já testados e comprovadamente eficazes. Não choca, nem revela ser um tesouro escondido. Apesar das comparações com Esquadrão Suicida, da DC, não detém a coragem necessária para ser nada além do genérico.
Obs.: não, o MCU ainda não ressuscitou — mas pelo menos saiu do coma.
Thunderbolts* estreia nesta quinta-feira, dia 01 de maio, nos cinemas de todo o Brasil.
Nota: 3/5
Ah, o filme tem uma cena pós crédito! Saiba qual é aqui.








