“Inovador”, “genial”, “intragável”, “nojento”, “o pior filme que já vi na minha vida”, dentre outras frases do público podem ser usadas para definir o filme canadense In a Violent Nature (2024), um slasher independente dirigido por Chris Nash, que estreou no Sundance Film Festival em janeiro deste ano e chegou aos cinemas nos Estados Unidos e em maio. Atualmente o filme está disponível para streaming no Shudder.
In a Violent Nature teve uma boa recepção da crítica e ele conta a história de um assassino imparável que desperta depois de 60 anos quando o colar que o mantinha morto é roubado. Ele então inicia uma caçada pelo colar, não importando quantas pessoas ele precise eliminar no processo.

O que mais causou curiosidade no público foi a novidade de termos um slasher sob a perspectiva do assassino. Como seria se estivéssemos vendo os filmes da perspectiva de Jason ou Michael Myers? Nos compareceríamos deles? Os filmes seriam ainda melhores? Esse tipo de narrativa é atrativa no cinema ou só funciona para jogos?
A resposta poderia ser bem simples, mas não é. Esse é um filme que não funciona com todo mundo e nem é seleção de público, é a verdade. Você precisa estar disposto a ter paciência para sentar e assistir por 1h30min a natureza seguir o seu curso e a natureza não tem pressa alguma. O nosso assassino não tem pressa, não corre e é imortal, então até certo momento do filme, assisti-lo no seu ritmo andar pela floresta é interessante e curioso, principalmente por não termos uma trilha sonora, só os sons do ambiente, mas com o passar do tempo fica cansativo e repetitivo porque só o que Johnny faz é andar e andar. O filme só fica melhor quando finalmente Johnny age e começa a matar os universitários que estavam acampando ali.

A promessa de que esse seria um filme sob a perspectiva do assassino muda no seu ato final, quando o ponto de vista passa a ser dos universitários que querem sobreviver, mas isso não funciona muito bem por diversos fatores, como a péssima atuação dos atores e porque o público não teve tempo de conhecê-los para se importarem o suficiente para que houvesse o mínimo de torcida para a sua sobrevivência. Se os pontos de vista fossem divididos desde o começo da história, talvez tivéssemos tempo de desejar que esse final acontecesse. Fora os últimos 20 minutos intermináveis de um monólogo de uma completa desconhecida inserida apenas para salvar a final girl.
De tudo de ruim que esse filme tem, Chris Nash acertou muito na direção das cenas de assassinato, na forma como elas foram feitas para serem gráficas e com certeza são o ponto alto do filme, quebrando toda a aura contemplativa que ele traz consigo quando temos as longas cenas de caminhada e mostrando os quilômetros e quilômetros da paisagem da região. Ou talvez a lentidão e a calma com que o Johnny mata suas vítimas seja para mostrar que a natureza não tem pressa nenhuma de agir. A estética do filme é impecável.

Muito do que se foi criticado nesse filme vem dele não ter estreado nos Estados Unidos com uma classificação indicativa, o que pode ter levado as pessoas ao cinema em busca de algo vendido pelo marketing do filme nas redes sociais sem levar em consideração o quão gráfico e violento ele seria, além do seu ritmo lento, o que faz deste um filme que definitivamente não é para pessoas ansiosas ou acostumadas a um ritmo mais acelerado de ações, já que no ponto de vista das vítimas, sempre existe a agitação e correria pela sobrevivência.
In a Violent Nature é aquele filme perfeito para você assistir sem pensar em nada mirabolante, ótimo para assistir com os amigos e se divertir. Ele pode não ser incrível, mas é sim inovador e causa impacto.
O filme ainda não está disponível no Brasil e nem tem data prevista para estreia.
NOTA: 3,7/5





