Encerrando a trilogia iniciada em 2022 com “X – A Marcada da Morte” seguida por “Pearl“, “Maxxxine” chega aos cinemas nesta quinta-feira (11) em todo o Brasil para contar o desfecho da história da sobrevivente vivida por Mia Goth.
Ambientada na Los Angeles de 1985, “Maxxxine” traz a sobrevivente de uma chacina de uma filmagem pornô diante de uma nova oportunidade de brilhar! Mas enquanto isso, um misterioso assassino, conhecido como Night Stalker, persegue as estrelas de Hollywood, deixando um rasto de sangue que ameaça revelar o passado sinistro de Maxine.

Depois de explorar o horror do começo do século XX e dos anos 70, chegou a vez de TI West trazer o melhor da cultura pop dos anos 80 em sua nova produção. Abusando da estética oitentista, seja no figurino, trilha sonora ou na composição estética e da edição de seu longa, o cineasta traz uma nova identidade a “Maxxxine“, posicionando a protagonista em uma nova etapa da sua vida e a distinguindo das produções anteriores.
Se você é do tipo de fã apegado a qualquer um dos outros filmes já lançados desta trilogia as chances de você se frustrar com “Maxxxine” são bem grandes. Ele não tem absolutamente nada a ver com “X – A Marcada da Morte“, muito menos “Pearl“. TI West se diverte em criar um terrir sátiro, cheio de crítica a cultura em que ele está inserido e também ao fanatismo religioso que persegue a arte até os dias atuais. Utilizando a própria indústria cinematográfica como plano de fundo, o cineasta cria uma metalinguagem vista em slashers conhecidos, ao tempo em que o charme de Mia Goth traz algo único.

O novo elenco compõe com maestria essa nova era. Entre Elizabeth Debicki, que vive uma diretora excêntrica e inspiradora, e Michelle Monaghan e Bobby Cannavale, que vivem uma dupla de policiais digna de filme dos anos 80, quem se destaca mesmo é Kevin Bacon, o grande antagonista do filme. Com o humor afiado com suas reações ao gênero que une o cômico com o horror, Bacon é a persona gananciosa e sem escrúpulos que a época temporal do filme precisava ter. Giancarlo Esposito é outra grande surpresa! Como Bacon, o ator teve uma caracterização que complementa a sua performance que atua como um frescor nessa conclusão.
Quando falamos de Hollywood em um filme de terror é inegável pescar algumas referências a histórias reais que já passaram pelo cinema de tão surreais e inacreditáveis que são. TI West aproveita esse elemento inimaginável de casos verídicos para construir sua ficção ao redor dela. Além do serial killer que surge em todos os trailers de divulgação, o cineasta reveste o ápice do filme (e seu plot twist) em referências a tragédia de Sharon Tate que também já foi contada através de Tarantino em Era Uma Vez em… Hollywood.

Uma coisa é certa: TI West não economiza criatividade ao criar novas mortes. Com ajuda da realidade, o cineasta une uma persona real para criar uma ficção tão horripilante e sangrenta quanto aos verdadeiros feitos do Night Stalker. Por consequência vemos em “Maxxxine” um amadurecimento maior da protagonista, ainda que seja perseguida por fantasmas do passado, agora a atriz é uma mulher mais resiliente e segura de si, se inserindo ao fim no roll das final girls inesquecíveis da cultura pop do horror (e uma das poucas com final feliz!).
Ao fim, fica claro que “Maxxxine” vai ser daquele filme que vai dividir o público. Há quem ame e se divirta com todo conjunto bem montado de referências ao ponto de sair do cinema querendo ver mais uma vez, mas também haverá quem depositou expectativas em uma franquia que não se levou a sério e sairá da sala do cinema frustrado por uma conclusão que não é digna do sucesso anterior do diretor.
Nota: 3,8/5





