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PRIMEIRAS IMPRESSÕES | “Chainsaw Man” e a representação marginal do sonho no capitalismo

No último dia 11 finalmente aconteceu a estreia de um dos animes mais aguardados de 2022, Chainsaw Man é uma adaptação homônima do mangá de Tatsuki Fujimoto e chegou as telinhas em uma representação visual reflexiva e bastante sangrenta.

Com título de Cachorro e Motosserra, o primeiro episódio já apresenta toda a narrativa principal do protagonista; ser visto como gente.

Denji é um jovem que desde criança faz todo tipo de trabalho informal para liquidar a dívida que seu pai deixou pendente com a máfia antes de morrer, de cortar árvores a venda de órgãos. Junto com seu parceiro Pochita, um demônio motosserra, Denji também caça e mata demônios, tudo para diminuir sua dívida milionária e ter o que comer no fim do dia.

Quando os dois são encurralados em uma emboscada Pochita se recupera usando o sangue de Denji e doa seu coração em sacrifício para que seu parceiro possa viver e realizar seus grandes sonhos; comer bem e receber o amor de uma garota. Desse modo, Denji passa a partilhar o poder de seu fiel amigo e renasce como o “Homem-motosserra” um humano com coração de demônio.

Com a direção de Ryū Nakayama o anime não se censura e exibe cenas bastante sangrentas e violentas, algo que os fãs do mangá certamente esperavam e que com certeza deve conquistar um novo público, no entanto embora seja visualmente muito bonito a grande atração de Chainsaw é o enredo que faz mover a história.

Diferente de outros animes Shonen a motivação do protagonista aqui não é focada no ego, em uma jornada heroica e muito menos um legado familiar. O que move a trama de Chainsaw Man é o desejo de alguém que vive a margem e sonha em estar do outro lado, é o sonho comum da maioria da população em um mundo capitalista.

Quando digo que Denji vive a margem da sociedade isso se enquadra no literal e no metafórico, literal porque como o episódio bem mostra ele mora em um barraco um tanto distante da civilização. E metafórico porque como o personagem mesmo verbaliza “ninguém nunca o olhou, tocou ou ofereceu uma refeição”. Denji é mais um em uma sociedade que não enxerga as laterais e olha apenas para duas direções; em frente e para o próprio umbigo.

O protagonista passa todo o primeiro episódio fazendo contas, pensando em como poderá se alimentar, e quando surge um trabalho a alegria dura pouco, pois logo que descobre o valor que deve receber vem junto as deduções. O que o deixa com alguns centavos pelo risco e força de trabalho. Todo o tempo ele está olhando o mundo de fora, fazendo seu trabalho, sonhando com as necessidades mais básicas como comer bem, tomar banho todos os dias e ter uma moradia descente, o que para ele é de fato um sonho distante.

E se o primeiro episódio não deixa claro o suficiente o principal tema aqui, o segundo faz questão de explorar ainda mais. Intitulado Chegada em Tokyo o episódio insere o protagonista no que será sua principal jornada nesse primeiro arco, um trabalho formal que te dá onde morar, um salário e comida descente em uma organização de caçadores de demônios do governo. E se por dois segundos isso parece algo positivo, fica bem nítido na fala de Makima que ele deverá executar esse trabalho até morrer.

Novamente o personagem, que havia acabado de se livrar de uma dívida vitalícia com a máfia, agora tem uma nova que depende mais uma vez de seu controle e força de trabalho.

Chainsaw Man também sabe render bons momentos cômicos e um entretenimento leve, toda a relação entre Denji e Aki é por exemplo mais uma interação entre um personagem animado e um mais sério, algo comum dentro desse universo e que foi explorado recente na relação entre Fushiguro e Itadori do anime Jujutsu Kaisen, também do estúdio Mappa.

Também serve como alívio cômico e quebra de narrativa as constantes investidas e sonhos de Denji com mulheres e seu desejo latente de ter uma namorada ou, pelo menos, algo próximo disso.

Fato que até agora a adaptação de Chainsaw Man tem sido bastante fiel ao que foi apresentado no mangá, incluindo cenas bem gores e um visual muito bonito, além de se mostrar um entretenimento a altura de grandes animes do próprio estúdio. É de aguardar o que o resto da temporada está reservando, mas esse começo já deixou um enorme gosto de quero mais.

No Brasil o anime está disponível no Crunchyroll e está sendo lançado simultaneamente com o Japão. Todas as terças-feiras as 13h um novo episódio é adicionado na plataforma.

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