CRÍTICA | “O Grito – Origens” se apoia mais no horror causado pelos humanos do que no sobrenatural

A série inspirada em uma das franquias de terror mais famosas do mundo, estreou na Netflix na última sexta (03). “O Grito – Origens“, conta a história da casa mal assombrada abordada nos filmes “O Grito“, porém os eventos da série antecedem o filme, ou seja, a série tenta explicar o início das maldições e das pessoas que morreram ali.

Dirigida por Sho Miyake e com roteiro assinado por Yō Takahashi e Takashige Ichise, a série conta no elenco com Yoshiyoshi Arakawa , Yuina Kuroshima ,  Ririka , Koki Osamura , Seiko Iwaido , Kai Inowaki , Tei Ryushin , Yuya Matsuura , Kaho Tsuchimura , Tokio Emoto , Nobuko Sendo e Kana Kurashina.

Como o filme, a série foi realmente baseada em uma lenda japonesa e alguns eventos reais que ocorreram ao longo de quatro décadas. A semelhança com o filme também se estende na montagem, ao utilizar o filtro preto e branco combinado com os cortes rápidos e movimentos de câmeras precisos nos momentos mais tensos e assustadores da história. Além disso, há uma semelhança com a forma que a história é contada, várias histórias ao mesmo tempo acontecendo em tela, fazendo com que o espectador não desgrude os olhos da obra.

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É comum que haja um certo tipo de confusão no decorrer dos episódios, por causa do formato onde várias histórias estão simultaneamente sendo contadas, mas caso você seja fã da franquia isso não vai ser um problema pra você. E caso você não for, não se preocupe, ao fim da série a história faz sentido, acredite.

Os episódios são curtos, então a história é bem sucinta nos acontecimentos, não há enrolação e as histórias logo passam a se interligar com a trama principal. Mas, de fato, os dois últimos episódios são os destaques da série, onde o sobrenatural toma conta e o clima tenso e amedrontador invade a tela e consome o espectador por inteiro.

Apesar disso, a série em si se apoia bastante em fatos aterrorizantes…realistas, ou melhor dizendo não-sobrenaturais. A série usa do desconforto e do terror das ações grotescas da humanidade para aterrorizar o espectador… e funciona.

As cena são tão fortes e explícitas que a classificação da série deveria ser de 18 anos e não 16. No entanto, a construção das histórias macabras contribuíram para a explicação do porquê aquela casa ser tão mal assombrada, como é mostrado nos filmes. Inclusive a explicação chega a ganhar mais sentido do que as mortes aleatórias do primeiro filme, por exemplo, já que na série as pessoas foram mortas graças a maldade que habitava dentro delas.

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Quando digo que são ações grotescas e perturbadoras, é porque realmente são. É comum ficar com raiva e até frustrado conforme o enredo se avança. Mas, creio que esta era a intenção real da trama. A série não se apoia em jump scares, a criação do enredo, que é bem conexo, prepara o espectador para uma conclusão aterrorizante por si só, sem pegar para si ferramentas comuns nos filmes de terror estadunidenses.

Por mais que “O Grito – Origens” tenha dividido o público com avaliações extremas de amor ou ódio, venho dizer que: vale a pena. Aos amantes do terror, a obra cumpri e mantém o legado que “O Grito” criou no decorrer dos anos. Como um todo, ela consegue trazer com louvor os sentimentos mais horripilantes e a marca registrada da franquia, com as suas ferramentas cinematográficas que sabemos que só funciona com ela.

O Grito – Origens” tem apenas x episódios e estão disponíveis na Netflix.

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