AVISO: ESTA CRÍTICA CONTÉM SPOILER
Você acha que o hype de Parasita passou? Viemos aqui informar que está longe de ser esquecido, até porquê ele foi o primeiro filme coreano a possuir 6 indicações ao Oscar, uma delas como Melhor Filme, a categoria mais cotada da academia.
Apesar do nome dar uma ideia completamente controversa do que se passa na história, Parasita nada mais é do que uma luta de classes, o quanto uma precisa da outra para sobreviver, o que fazer para permanecer na atual situação e como melhorar de vida.
Nosso primeiro contato é com a família Kim, composta pelo patriarca, Kim Ki-Taek (interpretado por Song Kang-Ho), a matriarca, Kim Choong-Sook (interpretada por Jang Hye-Jin) e um casal de filhos, Kim Ki-Woo e Kim Ki-Jung (interpretados, respectivamente, por Choi Woo-Sik e Park So-Dam) eles representam a classe pobre da Coreia, vivem em um espaço completamente improvisado de uma rua sem saída, onde a única passagem de ar que possuem é um janelão que dá para o beco que é a rua deles. Apesar das circunstâncias é uma família bem unida, trabalham juntos dobrando caixas de pizza para conseguir o mínimo possível para o sustento e aparentam apoiar um ao outro em qualquer momento de dificuldade.

Bong Joon-Ho que foi diretor, escritor e produtor da trama, trouxe uma família tradicional o mais próximo da realidade de qualquer país, a história poderia acontecer em qualquer outro lugar e mesmo assim teria o mesmo efeito. Ele não se apega a nenhum detalhe da cultura asiática e muito menos aos costumes peculiares das famílias, sua crítica foi única e exclusivamente na luta de classes ao redor do mundo, coisa que ele conseguiu captar com maestria no decorrer do filme.
Ki-Woo tem um amigo do tempo de colégio que se deu bem na vida mas não cortou os laços de amizade com a família Kim, apesar de ficar claro o desconforto do rapaz ao receber o amigo em casa, Min Hyuk (participação especial de Park Seo-Joon) não se dá por vencido e cumprimenta todos e ainda traz uma rocha antiga como presente de seu avô para Kim Ki-Taek. Apesar de breve, sua aparição é bastante significativa para a guinada na vida dos Kim. Min Hyuk é o real motivo para conhecermos os Park.
Outra família tradicional, os Park são compostos pelo patriarca, Nathan Park (interpretado por Lee Sun-Kyun), a matriarca, Park Yeon-Kyo (interpretada por Cho Yeo-Jeong), e o casal de filhos, Park Da-Hye e Park Da-Song (interpretados, respectivamente, por Jung Ji-So e Jeong Hyun-Jun), eles representam a alta classe da Coreia, morando em uma casa espaçosa, com vista para um quintal espetacular, todos possuem quartos próprios e banheiros adequados para uso. Os Park não são um exemplo de amor familiar, o espaço faz com que cada um tenha o seu próprio mundinho particular e não fazem a mínima questão de conhecer melhor o outro.

Depois que a conexão com as famílias é feita, o sentido da palavra Parasita vai começando a criar forma. Não, você não vai presenciar uma doença terrível que vai se alastrar pela Coreia e infectar todas as pessoas concluindo com a morte de todos os personagens. O que Joon-Ho vai te transmitir, é diferente, você participa de transações diárias e cotidianas que findam em um relacionamento parasitário da família Kim para com a família Park e vice versa. A cadeia tem início com Ki-Woo conseguindo uma vaga de professor de inglês da família indicado pelo seu amigo, com isso ele vê uma oportunidade de emprego para sua irmã, Ki-Jung, como professora de artes do filho do casal. O próximo da lista é seu pai, como motorista da família e sua mãe como governanta da casa.

Apesar da diferença financeira gritante, o diretor faz questão de dar ênfase a fotografia do filme, nos Kim a gente tem a impressão de estarmos preso em uma jaula improvisada de um beco sem saída onde é possível ver bêbados urinando no final de uma noitada e mal cheiro correndo solto pelo recinto inteiro. Os Park temos uma vista clara e límpida de árvores que transmitem paz e alegria, um dia ensolarado ou chuvoso não faz diferença quando a paisagem coloca um sorriso no seu rosto. Além das escadarias que são sempre um empecilho para os Kim e uma divindade para os Park. Lembra daquela música ‘Xibom Bombom’? “É que o de cima sobe e o de baixo desce…” é exatamente isso que Parasita demonstra.
Mesmo o filme inteiro sendo uma reviravolta atrás da outra, o auge é quando descobrimos que a antiga governanta da casa, a Sra. Moon (interpretada por Lee Jung-Eun), escondia seu marido num búnquer secreto dos Park porque ele fugia de agiotas e corria risco de vida. A mulher volta dias depois desesperada porque não sabe muito bem como proceder com a nova governanta e se ela vai entender a sua situação. Até que todo mundo desmascarado e começa um show de chantagem até um acordo bruto ser tratado.
A distância dos Park com os ocorridos em sua residência, chega a ser ingênua demais, o que dá uma inocência à classe rica que não chega a ser fiel a realidade, mas que pode existir. O desfecho do filme é regado de egoísmo, fuga e morte, ele consegue prender a atenção até o último momento em que uma investigação criminosa acontece e um sonho, que pode ou não sair do papel, nos é narrado da maneira mais próxima do desejo em que ele se realize.
Parasita ganhou prêmio nas categorias: Melhor Diretor e Melhor Filme Estrangeiro no Critics Choice, Melhor Filme Estrangeiro no Globo de Ouro, Melhor Diretor, Melhor Arte de Direção, Melhor Atriz, Melhor Atriz Coadjuvante no Blue Dragon Film Award; e teve sua estreia no Brasil no dia 7 de novembro de 2019. O filme encontra-se disponível para assistir online pelo serviço de streaming do Telecine.





