O ano é 1996 e a poucos metros da vila olímpica da cidade de Atlanta, uma bomba caseira explode próximo a cabine de som no Centennial Olympic Park o que acabou causando a morte de 2 pessoas e feriu cerca de 112. Foi um dos atentados terroristas mais famosos da época, tanto pela transmissão mundial dos fatos, quanto pela má abordagem do FBI com o caso. O filme Eastwoodiano, que tem data de estreia para 2 de janeiro de 2020 nos cinemas brasileiros, já passou pelo nosso olhar crítico e trouxemos aqui uma análise do que você pode esperar para o seu lançamento.
Clint Eastwood juntou toda essa atenção e dirigiu O Caso Richard Jewell com cuidado aos relatos da época, mas algumas alterações não foram aceitas com tanta facilidade depois da sua estreia nos Estados Unidos, segundo o jornal El País, Clint objetificou a personagem de Olivia Wilde e fez com que o estopim da história fosse vazado devido uma troca sexual, o que foi um fato que nunca chegou a ser comentado em nenhum livro, artigo ou reportagem da época.
Além de ser baseado em fatos reais, Billy Ray, escritor da película, inspirou-se no artigo American Nightmare: The Ballad of Richard Jewell, de Marie Brenner, disponível para leitura no site da revista americana Vanity Fair.

Inicialmente conhecemos Richard Jewell (Paul Walter Hauser), um aspirante a policial que mora com sua mãe, Barbara Jewell (Kathy Bates), na cidade de Atlanta, Eastwood relata todos os possíveis acontecimentos na vida de Richard que poderiam levar ao pré julgamento feito pelo FBI. Em seu primeiro emprego como ajudante de almoxarifado, ele conhece Watson Bryant (Sam Rockwell), um advogado frustrado que trabalha em um escritório de associados e não pega nenhum caso extraordinário. A relação dos dois é um pouco previsível, Bryant é o único que trata Richard como um verdadeiro ser o humano e a única pessoa que não coloca nenhum apelido depreciativo nele.

A personalidade de Jewell é intrigante, não sei se para chamar a atenção do público ou para chegar o mais perto da realidade, ele chega a ser um pouco perseguidor, reparando em todos os detalhes ao seu redor e fazendo pequenas “surpresas” para o seu colega de trabalho. A abordagem deu uma sensação de um mistério que o filme não trouxe, o perfil do cara branco, acima do peso, legal com todo mundo e com medo de levantar a voz em público não trouxe nenhum diferencial que poderia dar o espectador a chance de duvidar do seu depoimento.
Antes de mais nada, queria deixar claro que este não é um filme de ação, com vários efeitos maravilhosos de explosão, ou policial, com ênfase no trabalho do FBI na investigação dos fatos ocorridos, ou até mesmo de mistério, para descobrir se Robert é realmente culpado ou não. O Caso Richard Jewell permanece o mais próximo possível de um documentário pessoal do acusado e alguns relances do que acontece do lado acusador, isso faz com que o filme não tenha nenhum momento revelador e nem prende atenção suficiente durante suas 2 horas e 9 minutos, o roteiro fica travado no que acontece depois da explosão da bomba e na obsessão federal por Jewell.
Após o atentado, Robert ganha atenção nacional e se torna o herói de Atlanta, por ter ajudado a salvar centenas de vidas afastando as pessoas da bomba, é quando Tom Shaw (Jon Hamm), agente do FBI responsável pelo caso, e seu parceiro Dan Bennet (Ian Gomez) montam, em segredo, um caso contra o novo salvador da cidade.

Kathy Scruggs (Olivia Wilde) é responsável pelo fim da pacata vida de Jewell e publica a matéria perfeita para transformar o herói em vilão. Scruggs é uma repórter ambiciosa que clama por grandes destruições para fazer do impossível, possível e escrever a matéria perfeita sem importar com fatos verídicos ou não. Seu personagem é absurdamente ambicioso e asqueroso, tudo o que ela faz é em busca do melhor para sua carreira e a consequência dos seus atos demoram demais para acontecer.
Jewell passa de amado para odiado da noite para o dia e vira mais um dos perfis orquestrados pelas investigações federas, o segurança que explodiu uma bomba para chamar a atenção do mundo e se auto proclamar o herói de todos. Eastwood fez uma crítica pesada à força policial e à mídia da época, da briga inicial entre as autoridades regionais em quem assume o caso, até o discurso de partir o coração vindo da mãe de Robert carinhosamente apelidada de Bobi. O ritmo do filme é extremamente lento e seu único objetivo é mostrar as injustiças que casos com níveis federais podem alcançar devido a teimosia dos agentes responsáveis.

Confiram o trailer a seguir.
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