Responsável por uma longa lista de clássicos brasileiros amados e aclamados pelo público, Jorge Furtado retorna aos cinemas para contar uma história repleta de metalinguagem sobre sexo e pornografia. No entanto, ao contrário de seus clássicos, que costumavam unir bom humor e situações inacreditáveis a uma crítica bem construída, Muito Prazer falha ao se entregar a uma história boba e frustrante.
No filme, acompanhamos Rubem (Daniel de Oliveira), que é surpreendido com uma herança inesperada: o Motel Pérola. O problema é que o estabelecimento está praticamente em ruínas. Lá, ele conhece Grace (Luisa Arraes), uma ex-funcionária que continuou morando em uma das suítes depois que o motel fechou.
Sem conseguir vender o imóvel e atolados em dívidas, Grace e Rubem se unem para reativar o motel. Quase de brincadeira, com a ajuda de Nalva (Samantha Jones), que entende tudo de internet, eles começam a gravar os clientes escondidos. Para conseguir algum dinheiro extra, passam a vender os vídeos, com as identidades protegidas, para sites eróticos. O esquema se torna rapidamente lucrativo e, como era de se esperar, perigoso.

Muito Prazer começa bem, mas perde o rumo
A princípio, o filme se mostra bastante eficaz. Afinal, Daniel de Oliveira e Luisa Arraes garantem o carisma e a química necessários para uma produção desse gênero. Ambos são esquisitos e parecem deslocados diante da situação em que estão inseridos. Por isso, Muito Prazer consegue, durante sua primeira meia hora, conquistar a atenção do público.
Todavia, quando surge a ideia de filmar os clientes escondidos, você começa a se perguntar onde aquilo vai dar.
A proposta de provocar o público a pensar sobre a indústria pornográfica é rapidamente prejudicada pela forma boba como a história se desenvolve. Jorge Furtado tenta replicar o feito de Saneamento Básico ao inserir a metalinguagem de um filme dentro do filme. Contudo, a falta de bom senso faz com que a história se transforme em um objeto raso, supérfluo e até desrespeitoso com as próprias incoerências presentes nos personagens.

Todo o carisma dos protagonistas vai se esvaindo conforme a história avança. Isso acontece menos pelos desempenhos dos atores e mais pelo desapego da narrativa, que gradualmente afasta o público da tela. Ainda assim, o elenco tenta ao máximo salvar o que quer que precisasse ser salvo aqui.
A participação de Drica Moraes é uma vergonha, não pela sua performance, mas pelo contexto em que a atriz está inserida. O humor, diretamente saído de um quadro ultrapassado de Zorra Total, empobrece ainda mais o filme. Mas, se você chegou até aqui, aguente mais alguns minutos para encerrar a história.

Vale a Pena assistir Muito Prazer?
No fim, Muito Prazer é exatamente isso: uma boa ideia que nunca encontra uma maneira interessante de se desenvolver. O filme tinha potencial para discutir pornografia, intimidade e exposição a partir do humor característico de Jorge Furtado, mas acaba preso a situações pouco inspiradas e a uma direção que parece distante daquilo que tornou o cineasta tão interessante.
Muito Prazer estreia nesta quinta-feira, 27 de agosto, nos cinemas de todo o Brasil.









