Vestígios: uma mistura surpreendente de Nicholas Sparks e M. Night Shyamalan
E se Querido John e O Sexto Sentido se fundissem? Bem, Vestígios mostra que o resultado pode ser inesperadamente fantástico. Uma das colaborações literárias mais inusitadas dos últimos tempos deu muito certo.
Lançado pela Editora Arqueiro em abril deste ano e com uma adaptação cinematográfica já a caminho, estrelada por Jake Gyllenhaal e Phoebe Dynevor, o livro é uma escolha perfeita para quem ama o drama romântico novelesco de Nicholas Sparks, mas também gosta da investigação sobrenatural de M. Night Shyamalan.
Em Vestígios, acompanhamos Tate, um arquiteto que, após a morte da irmã, viaja para uma pequena cidade em busca de um recomeço. Lá, ele conhece Wren, uma jovem por quem sente uma conexão imediata e inexplicável. Porém, conforme os segredos dela vêm à tona, Tate percebe que está diante de algo que desafia a lógica — e que pode atravessar os limites entre a vida, a morte e o amor.
Com apenas 304 páginas, o suspense dramático une o ritmo de uma investigação ao processo doloroso do luto, enquanto também desenvolve um romance impossível. Diante desses três pilares, fica fácil entender por que a colaboração entre Sparks e Shyamalan funciona tão bem.

Um romance sobre luto, cura e impossibilidades
A história aborda a morte de diferentes maneiras e ganha um brilho especial graças à construção de seus personagens. Tate e Wren são duas pessoas que se completam justamente em suas vulnerabilidades.
E não estou falando apenas sobre o romance entre os dois. Principalmente, a história funciona pela maneira como ambos enxergam as possibilidades da vida. A partir das limitações impostas à existência de Wren, Tate começa a se lembrar de como era sua própria vida antes do luto.
Assim, seu processo de cura acontece por meio da empatia e, é claro, de um amor impossível, cercado por obstáculos. E isso é a coisa mais Nicholas Sparks que poderíamos esperar.
Ao mesmo tempo, o senso de justiça anda lado a lado com o protagonista. Não vou dar spoilers, mas fica bastante claro, desde as primeiras interações entre os personagens principais, para onde Shyamalan está caminhando — principalmente se você conhece os trabalhos anteriores do cineasta.
Sem entregar muito do ouro para você que está lendo esta resenha, o suspense nasce justamente desse romance impossível e se desenvolve tanto na investigação criminal quanto na aceitação de uma nova realidade.
Afinal, aceitar o fim e se abrir ao desconhecido também faz parte do processo de cura. E isso é a coisa mais M. Night Shyamalan que poderíamos esperar.

Os clichês que funcionam
Os personagens que cercam os protagonistas carregam características bastante previsíveis das histórias ambientadas em cidades pequenas. Entretanto, isso não chega a ser um demérito. Pelo contrário: cria uma sensação de familiaridade e segurança que combina muito bem com a proposta do livro.
Além disso, alguns clichês são utilizados de maneira tão eficiente que acabam funcionando. Um bom exemplo são os três suspeitos que surgem ao longo da investigação: um ex-marido violento, um sócio ladrão e um amigo stalker.
Afinal, o que seria de um suspense sem suspeitos?

Vale a pena ler Vestígios?
As páginas passam voando. A narrativa é tão visual e clara que parece colocar um filme pronto na sua mente. Conforme a história avança, mais difícil fica parar de ler.
Eu, que estava há meses em uma ressaca literária, finalizei o livro em apenas dois dias. Talvez fosse exatamente isso que eu precisava: um drama esperançoso, acompanhado de um suspense sobre cura e recomeços, para libertar a leitora que estava presa dentro de mim.
Vestígios é aquele tipo de livro que você compra principalmente pelos autores, que carregam uma reputação construída ao longo de décadas, e acaba se surpreendendo com o resultado.
Porque, sinceramente, eu jamais imaginaria que essa parceria poderia funcionar. Pelo menos, não da maneira como funciona aqui.
Com surpresas, emoção e um desfecho capaz de aquecer o coração, Vestígios entrega uma experiência que mistura romance, suspense, sobrenatural e luto sem parecer uma combinação impossível.
Então, se você chegou até aqui porque estava em dúvida se valia a pena ler ou não, vou te dar apenas um conselho: largue tudo e comece a ler agora mesmo — ou, se preferir, dê uma chance à versão em audiobook.









