CRÍTICA | O Fim da Rua transforma dinossauros em uma aventura misteriosa e divertida

Como você reagiria se um dia acordasse e seu bairro tivesse sido transportado para uma era pré-histórica com dinossauros atacando seus vizinhos? É o que acontece com a família Platt em O Fim da Rua. Eles precisam garantir sua sobrevivência e lidar com os dramas familiares no novo filme de David Robert Mitchell (Corrente do Mal), que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, dia 13.

O mistério de O Fim da Rua

O Fim da Rua vem chamando a atenção tanto por seu elenco, que conta com Anne Hathaway e Ewan McGregor, como pelo mistério em torno do longa. Seja pela produção criativa ou pelo marketing, preferiram fazer uma divulgação “low profile”, reservando os grandes acontecimentos do filme para quem for assisti-lo (indo na contramão dos trailers atuais que entregam todas as nuances das obras nas suas prévias).

A estratégia foi acertada. É curioso descobrir cada aspecto da obra e de seus personagens ao longo do filme, sem muito conhecimento prévio. De início, somos apresentados a um bairro alegre de vizinhos celebrando e fazendo churrasco, bem ao estilo do sonho americano. Porém, essa felicidade é interrompida ao sermos jogados nos dramas familiares do casal principal e, posteriormente, ao “fim do mundo” jurássico.

David Robert Mitchell aposta no suspense

David Robert Mitchell consegue criar bem a ambientação de mistério, revelando as criaturas aos poucos e escalonando a sensação de perigo. Porém, nessa obra, o diretor não impõe um clima de terror como em seus longas anteriores. O Fim da Rua caminha mais em uma aventura com nuances de suspense. É difícil colocar esse aspecto como uma falha ou não, mas levamos a crer que a intenção era ser mais assustador, já que o filme está creditado como um thriller.

Mesmo com esse ponto, Mitchell consegue fazer um ótimo trabalho de regência no longa. Tanto as cenas de mais ação quanto as cenas dramáticas são muito bem construídas e recebem uma excelente ajuda dos já consagrados Anne Hathaway e Ewan McGregor. Mas é preciso também deixar a observação das ótimas atuações dos jovens Christian Convery (Sweet Tooth) e Maisy Stella (Meu Eu do Futuro). O quarteto nos convence enquanto uma família que, mesmo diante de tantos problemas, consegue se unir e cuidar uns dos outros.

Roteiro e personagens poderiam ser melhores

Porém, O Fim da Rua não chega a ser perfeito, e alguns aspectos incomodam aos espectadores mais técnicos. Se a construção de mistério é bem feita, a construção dos personagens acontece de forma muito verborrágica. O roteiro coloca grandes falas na boca dos personagens para nos fazer entender como estão, ao invés de nos apresentá-los através de ações cotidianas. Isso acontece um pouco menos com Audrey (personagem da Maisy Stella), que consegue revelar muito da sua personagem através de olhares, ao invés de falas.

Fotografia oscila em alguns momentos

A fotografia também varia bastante durante o filme. De forma geral, ela é eficiente e trabalha bem em diálogo com os outros aspectos do filme. Mas, em alguns momentos, nos parece que a direção tenta arriscar, mas vai para um lugar que causa estranheza. Alguns planos trazem um super close ou uma divisão de tela que destoa do restante do longa, e não de uma forma proposital que reforce a narrativa, ou pelo menos não atinge seu objetivo.

Esses pontos aparecem mais em cenas dramáticas, em que nuances dos personagens estão sendo reveladas. Nas ações e perseguições, volto a ressaltar, a fotografia é bem eficiente ao que se propõe.

O Fim da Rua vale a pena?

O Fim da Rua não inventa a roda nem tenta romper com o “gênero” thriller de dinossauros. Muito pelo contrário, eleva isso a uma nova potência em uma ficção científica misteriosa e divertida. Os efeitos e, principalmente, as criaturas não deixam a desejar e dão maior imersão à obra.

O filme consegue passear bem pelos momentos de tensão, drama e alívios cômicos. É um forte candidato a se tornar um filme que você coloca na TV para relaxar enquanto quer esquecer dos problemas.

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