CRÍTICA | Só por uma Noite tem boa premissa, mas cai nos clichês

Só por uma Noite”, dirigido por Will Gluck e estrelado por Monica Barbaro e Callum Turner, será o mais novo filme de comédia romântica, com lançamento marcado para 27 de agosto. Com uma proposta interessante, sobre a qual falaremos abaixo, a produção prometeu bastante, mas ficou aquém de tudo aquilo que poderia ser.

Só por uma Noite tem uma premissa interessante

O filme parece beber da fonte de “Uma Noite de Crime”. Porém, ao invés de ter uma noite de crimes liberados por ano, em “Só por uma Noite” há uma noite de sexo entre solteiros liberada ao longo dos 365 dias. Isso porque um governo ultraconservador estadunidense resolveu transformar em crime as relações sexuais entre pessoas não casadas.

A proposta é muito bacana, assim como as rápidas críticas e piadas ácidas feitas em relação à onda ultraconservadora na política do país. É, inclusive, engraçado perceber que nenhum personagem do filme concorda com o decreto estadunidense, destacando até mesmo o risco de votar em um candidato com apenas uma pauta, sem levar em consideração todo o resto.

Monica Barbaro e Callum Turner conquistam pelo carisma

Assim como a proposta, os personagens, tanto principais quanto secundários e quase figurantes, também agradam. Callum Turner e Monica Barbaro encantam pela simpatia e pelo carisma, atuando juntos ou separados. Seus personagens conseguem envolver o público e desenvolver bem a história que está sendo contada.

Os diálogos são perspicazes e bastante dinâmicos, tanto para fazer piadas ou críticas ao decreto governamental quanto para desenvolver a história e os personagens. Todo o ambiente e as paixões dos protagonistas são bem desenvolvidos, o que acaba por enriquecer o roteiro.

O filme perde a chance de ser mais corajoso

No entanto, apesar de tudo isso, “Só por uma Noite” perde a chance de ser uma comédia romântica mais corajosa e, até mesmo, diferente. O filme começa devagar — o que faz sentido, pois estava apresentando o universo pós-decreto estadunidense —, evolui muito bem, porém, a partir de determinado momento, apenas escolhas seguras e clichês são selecionadas.

Eu sempre digo que não há nada de errado com uma história clichê, justamente por ser uma escolha segura e que agrada. Todavia, quando você escolhe contar um roteiro com uma proposta diferente, acho de bom tom tomar caminhos arriscados — o que Will Gluck não teve a menor coragem de fazer.

Só por uma Noite desperdiça uma boa ideia

Dito tudo isso, “Só por uma Noite” acaba por ser apenas “só mais um filme” de comédia romântica, apresentando, sim, bons personagens, mas desperdiçando uma história com potencial maior.

Nota: 3/5

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