O teatro musical brasileiro vive um momento de renovação, revelando talentos que vêm conquistando cada vez mais espaço de protagonismo nos palcos. Um desses nomes é Hipólyto, que atualmente interpreta Fiyero em Wicked, um dos personagens mais queridos do clássico da Broadway.
Em entrevista exclusiva à Tribernna, o ator relembrou como descobriu sua paixão pelo teatro musical, falou sobre a importância de viver Fiyero como um homem negro, comentou sua experiência na dublagem de Mufasa: O Rei Leão e revelou que deseja explorar a direção teatral no futuro.
Confira a entrevista completa.
TRIBERNNA: Para quem está conhecendo o seu trabalho agora, como nasceu a sua paixão pelo teatro musical? E em que momento você percebeu que queria seguir esse caminho profissionalmente?
HIPÓLYTO: Nasceu lá na UNIRIO em 2017. Eu era calouro de bacharelado em atuação cênica e entrei para o projeto UNIRIO teatro musicado. Sorte ou não, peguei meu primeiro protagonista no meu primeiro musical da vida. Após isso decidi que essa área me abraçaria muito, pois seria aonde eu poderia unir todas as artes que eu dominava.
TRIBERNNA: Você iniciou sua trajetória artística no Rio de Janeiro, onde se formou pela UNIRIO, e depois seguiu para São Paulo, um dos principais polos do teatro musical no Brasil. Como foi viver essa transição e o que essa mudança representou para a sua carreira?
HIPÓLYTO: Essa mudança foi completamente crucial para a minha carreira, foram passos a mais que dei na minha caminhada artística. Pois foi o momento que vivenciei o lado profissional da coisa e conheci o mercado no qual trabalho.
TRIBERNNA: O Fiyero é um personagem muito querido pelo público e que já ganhou interpretações marcantes no teatro musical brasileiro. Como foi receber o convite para viver esse papel e encontrar a sua própria leitura de um personagem que transita entre o humor, o romance e uma transformação política tão significativa ao longo de Wicked?
HIPÓLYTO: Ter recebido o convite para essa temporada foi mais uma prova de que fiz um bom trabalho e que eu agradei o público através da minha arte. Me senti orgulhoso de mim e muito grato.
TRIBERNNA: Apesar dessa transformação, o Fiyero continua sendo um personagem muito carismático e divertido. O que você mais gosta em interpretá-lo noite após noite?
HIPÓLYTO: Eu gosto de fazer e interpretar todas as suas micro transformações no decorrer da peça. Ser divertido pra mim é muito natural, mas quando a história pede uma transição de energia, eu me sinto muito desafiado e provocado a mostrar isso.

Representatividade em Wicked e a identificação com Fiyero
Um dos momentos mais marcantes da conversa acontece quando Hipólyto fala sobre o significado de interpretar Fiyero como um homem negro. Para o ator, a conexão com o personagem vai além da ficção e dialoga diretamente com experiências vividas por ele e por muitos outros homens pretos.
TRIBERNNA: O teatro musical brasileiro tem aos poucos ampliado as discussões sobre representatividade nos últimos anos. Como homem negro interpretando um personagem tão icônico como o Fiyero, que significado esse papel tem para você?
HIPÓLYTO: Pra mim, na minha opinião, o Fiyero sempre foi um homem preto. Afirmo isso pois o que acontece com ele, eu mesmo já vivenciei grande parte e se buscarmos em outros meninos/ homens pretos, teremos narrativas muito semelhantes. Então fazer o Fiyero pra mim é mais do que só uma personagem, mas é trazer uma vivência para as cenas.
Da dublagem de Mufasa aos próximos desafios
Além dos palcos, Hipólyto também emprestou sua voz para Taka (Scar) em Mufasa: O Rei Leão, experiência que abriu ainda mais portas em sua carreira como dublador.
TRIBERNNA: Além dos palcos, você também participou da dublagem de Mufasa: O Rei Leão. Você pode nos contar um pouco sobre essa experiência?
HIPÓLYTO: Poder ser a voz do Taka (Scar) foi e ainda é uma emoção muito forte. De vez enquanto a ficha cai novamente e eu me pego sorrindo muito orgulhoso de ter sido parte disso.
O ator também revelou que pretende seguir investindo na dublagem e que já participou de outros projetos importantes após o longa da Disney.
TRIBERNNA: A experiência na dublagem despertou o desejo de explorar ainda mais esse universo? Existem outras áreas da atuação que você gostaria de experimentar nos próximos anos?
HIPÓLYTO: Totalmente. Ainda dublo e se depender de mim não paro mais. Após o Mufasa: O Rei Leão, eu dublei outros trabalhos bem relevantes como: Coração de Ferro, The Beauty, Demolidor… E eu tenho muita vontade agora de explorar outras áreas na atuação, que é dirigir peças teatrais. É um desejo que vem surgindo aos poucos, mas que nunca apaga.

O conselho de Hipólyto para quem sonha com o teatro musical
Encerrando a entrevista, Hipólyto deixou uma mensagem para jovens artistas que desejam construir uma carreira nos palcos. Para ele, o estudo continua sendo o principal caminho para desenvolver uma atuação verdadeira.
TRIBERNNA: Depois de toda a sua trajetória até aqui, qual conselho você daria para jovens artistas que sonham em construir uma carreira no teatro musical?
HIPÓLYTO: Eu sempre incentivo o estudo. Estudar a técnica, a emoção e a vida. Pra que dessa forma a gente possa chamar de “experiência” e assim colocar a sua verdade em cena.
Com uma trajetória que passa pelo teatro musical, pela dublagem e agora também pelo desejo de dirigir espetáculos, Hipólyto mostra que sua carreira continua em constante evolução. Enquanto emociona o público como Fiyero em Wicked, o ator segue construindo um caminho marcado por dedicação, representatividade e paixão pela arte.
Wicked segue em cartaz na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro, até 4 de outubro de 2026. Considerado um dos maiores sucessos da Broadway, o musical acompanha a história nunca contada das bruxas de Oz e reúne grandes números musicais, efeitos impressionantes e um elenco de destaque, entre eles Hipólyto no papel de Fiyero. Para quem deseja conhecer de perto a interpretação do ator e viver a magia do espetáculo, esta é uma ótima oportunidade de assistir à produção nos palcos cariocas.









