CRÍTICA | “Lispectorante”: um mergulho na alma

Lispectorante (2024) é um filme surrealista brasileiro dirigido por Renata Pinheiro que mergulha no universo sensorial e existencial inspirado pela escritora Clarice Lispector, que chega aos cinemas no dia 8 de maio, distribuído pela Embaúba Filmes.

Ao longo de 93 minutos, acompanhamos a artística plástica Glória Hartman (Marcélia Cartaxo), que está passando por uma crise financeira, pessoal e profissional, e retorna Recife, onde ela encontra os lugares onde a escritora Clarice Lispector viveu durante a adolescência no bairro da Boa Vista.

É uma jornada surrealista de reencontro da protagonista com partes esquecidas não só da cidade, que também é um personagem vivo na história, mas também dela mesma, numa estética que às vezes lembra um sonho acordado. A fotografia de Wilssa Esser passa uma atmosfera por muitas vezes distópica, reforçando essa sensação do sonho acordado.

Marcélia Cartaxo (Glória) e Pedro Wagner (Guitar). Lispectorante, Renata Pinheiro (2024).

A interpretação de Marcélia Cartaxo, ao lado de Pedro Wagner (Guitar), um artista de rua que se torna uma figura importante na jornada de Glória, é marcante e profunda. É a segunda vez que ela interpreta algo relacionado à Clarice Lispector, já que ela protagonizou a adaptação de A Hora da Estrela em 1985, que lhe rendeu um Urso de Prata no Festival Internacional de Cinema de Berlim em 1986.

Lispectorante é uma experiência cinematográfica que nos leva a refletir sobre nosso subconsciente. Não é uma história sobre Clarice ou Glória, é uma jornada introspectiva através de nossas memórias e identidade, usando isso como ferramenta de transformação pessoal de forma poética e sensorial.

Lispectorante chega aos cinemas no dia 8 de maio, distribuído pela Embaúba Filmes.

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