CRÍTICA | Amor e pintura em “A Musa de Bonnard”.

A Musa de Bonnard (Bonnard, Pierre et Marthe, 2023) é um filme biográfico do pintor francês Pierre Bonnard (1867-1947) e sua vida com sua esposa ao longo de 50 anos. Dirigido e roteirizado por Martin Provost, o filme estreia nos cinemas brasileiros no dia 6 de junho de 2024.

Ao longo do filme acompanhamos a história de como Pierre (Vincent Macaigne) e Marthe Bonnard (Cécile de France) se relacionaram e como ela tornou a grande musa do pintor pós impressionista, conhecido como O Pintor da Felicidade, contando os altos e baixos dessa relação longa.

No começo temos o encontro amoroso arrebatador entre Pierre e Marthe, que inspira o pintor ao ponto dele criar diversas obras, principalmente retratos nus com Marthe como sua modelo. Pierre é um burguês e tem uma situação financeira confortável, ao contrário de Marthe.

Nesse início de relacionamento, temos um Pierre bastante apaixonado e uma Marthe que é cimenta ao ponto de não se dar bem com os amigos dele. Depois e anos em crises, Piere vê na jovem modelo Renée Monchaty (Stacy Martin) uma possibilidade de trazer harmonia a esse relacionamento, mas que vai trazer consequências até o final da vida do casal.

Traições, dramas, momentos, engraçados e o descobrimento tardio de Marthe nas artes (inclusive sendo elogiada por Claude Monet), ao longo de duas horas, o filme se torna enfadonho. Marthe é pressionada pelos amigos de Bonnard, que dizem que ela o limita e prende, enquanto a verdade é que o próprio Bonnard é fixado na ideia de pintar a felicidade e só pintar o tempo todo, ao ponto de negar a maternidade à esposa. Dá a entender que o amor dele por ela é grande, mas o amor dele pela arte é infinitamente maior.

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Esteticamente falando, A Musa de Bonnard é um filme lindo, seria interessante se tivesse um equilíbrio maior entre o processo artístico e a vida dos dois. As atuações de Cécile de France e Vincent Macaigne como o casal principal é maravilhosa, especialmente de Cécile, que entrega uma profundidade emocional magnífica à Marthe.

Nada disso é o suficiente para tornar um filme biográfico que foca no relacionamento dos dois interessante, mesmo que Marthe seja a grande musa de Bonnard. O relacionamento os dois não é tão interessante assim para que tenha um filme de duas horas.

A Musa de Bonnard estreia nos cinemas brasileiros no dia 6 de junho de 2024, distribuído pela California Filmes.

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