CRÍTICA | Oldboy volta aos cinemas em versão remasterizada

20 anos após o seu lançamento, o aclamado filme sul-coreano, dirigido por Park Chan-wook, voltou aos cinemas em uma versão remasterizada. Oldboy é inspirado em um mangá de mesmo nome, e é o segundo filme da conhecida ‘Trilogia da Vingança’, de Chan-wook.

Em uma noite Oh Dae-Su é raptado e mantido em cativeiro por 15 anos num quarto de hotel, sem qualquer contato com o mundo externo, exceto por uma televisão. Quando ele é inexplicavelmente solto, embarca numa missão obsessiva por vingança.

Muitas produções se perdem quando são vistas anos após o seu lançamento, seja por ser muito datada ou ter aspectos que envelheceram de uma forma não tão boa. Não vejo que isso aconteceu com Oldboy, apesar de ter algumas cenas que os efeitos especiais parecem amadores se vistos com o olhar de 2023, o filme em si enquanto obra envelheceu muito bem e continua impactante e visceral para quem assiste.

O roteiro de Oldboy é impecável, ele te prende do início ao fim, mesmo sem você saber o que está acontecendo. O espectador se encontra em um lugar tão perdido quanto Dae-Su, e vai descobrindo as coisas junto ao protagonista. O filme consegue te surpreender a todo momento com plots que fazem você temer a mente de quem escreveu isto, ao mesmo tempo em que fica maravilhado com a eficácia da sua produção.

A direção não fica atrás comparado ao roteiro e consegue entregar uma obra única. Toda a construção do filme conversam de forma bem uníssona, a trilha sonora aparece nos momentos certos intensificando o sentimento das cenas, deixando o espectador ainda mais imerso. A fotografia tem planos de tirar o chapéu, e é ainda mais intensificada por uma montagem espetacular com transições simples, mas que são de uma sacada de quem apenas tem um olhar cinematográfico refinado consegue fazer de forma coesa.

As atuações também entregam tudo no filme. O Choi Min-sik, como Dae-Su, que começa como um ser ingênuo e perturbado, mas vai modificando a sua natureza nos tempos de cárcere e se tornando alguém frio e desesperançoso com o mundo, além das sequências finais que vemos todos os sentimentos passarem pelos olhos e expressões em Choi Min-sik de forma verdadeira. Kang Hye-jeong traz uma Mi-Do inocente que está descobrindo o mundo, ela faz muito bem o papel da mocinha em perigo, que depois entendemos o porquê dela ser assim. E por fim, Yoo Ji-tae, que traz o antagonista Lee Wo-jin de forma espetacular, um ser frio e calculista que já tem tudo programado do que vai acontecer e impõe certo temor até de quem está assistindo.

A remasterização de Oldboy ficou belíssima, e nos dá a oportunidade de assistir a essa obra com ainda mais qualidade na tela. Oldboy, mesmo 20 anos após seu lançamento, se mostra não apenas uma das melhores obras do cinema sul-coreano, mas como uma das melhores obras do cinema contemporâneo mundial.

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