CRÍTICA | “A Primeira Morte de Joana” transforma o amadurecer em poesia

A Tribernna assistiu o filme antecipadamente a convite da Lança Filmes

Dirigido e roteirizado por Cristiane Oliveira (Mulher do Pai, 2017), A Primeira Morte de Joana é um filme de drama brasileiro que estreia hoje (4) nos cinemas. O longa conta a história de Joana (Letícia Kacperski), uma adolescente de 13 anos que está se questionando e descobrindo sobre si, sobre a família, sobre a comunidade onde vive no Rio Grande do Sul, enquanto lida com o seu primeiro contato com o luto, a morte da sua tia-avó.

Quando sua tia-avó Rosa falece aos 70 anos, uma pergunta ronda os pensamentos de Joana: por que a tia Rosa nunca teve um namorado? Esse questionamento leva Joana a uma investigação sobre a vida da tia-avó e sobre os motivos dela de nunca ter tido um namorado. Tudo isso enquanto ela vive os dilemas de descobrir sobre seu próprio corpo, seus sentimentos e vontades, sua sexualidade e sua própria personalidade, ao lado da sua amiga Carolina (Isabela Bressane).

O filme se passa em 2007, no contexto da instalação do Complexo Eólico de Osório (RS), e o filme aborda o impacto que o empreendimento causaria no meio ambiente e as vantagens que traria para o desenvolvimento da região, bem como isso afetaria a vida da população local. A paisagem tranquila em contraste com o parque eólico mostra que apesar da tranquilidade aparente, o que se vive do lado de dentro nem sempre é tão tranquilo assim. Por dentro, Joana e as mulheres da família precisam lidar com seus próprios dilemas com base no que é esperado delas pela sociedade e pela religião, enquanto ainda mantêm vivas as tradições regionais de produtos da culinária local tão apreciados pelos turistas.

Acompanhar o crescimento e entendimento de Joana sobre si e sobre o mundo é muito natural e delicado, trabalhado de uma forma acolhedora e simples. Joana questiona porque ela não deve fazer determinadas coisas, os motivos dela ser repreendida e aceitar ser tratada diferente só por ser menina, ao mesmo tempo que Carolina é mais aberta e desinibida, inclusive sendo desrespeitada pelos garotos por entender que é diferente e que não tem e nem deve aceitar ser maltratada por isso. Carolina é uma grande influência para Joana e uma fonte enorme de questionamentos e dúvidas para ela, inclusive sobre os próprios sentimentos.

O filme é delicado, intimista, poético e emocionante com uma direção de fotografia belíssima (premiado no 49º Festival de Cinema de Gramado como Melhor Longa pelo Júri da Crítica, Melhor Fotografia e Melhor Montagem), que contam muito bem a história em 1h30min, fazendo desse um filme belíssimo e merecedor de todos os prêmios e indicações que recebeu ao longo dos anos desde a sua estreia internacional, em 2021.

A Primeira Morte de Joana chega aos cinemas no dia 4 de maio, distribuído pela Lança Filmes.

NOTA: 4,5/5

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