RESENHA | “Um Dia”: quanto tempo esperar por um amor?

Um Dia, 15 de Julho de 1988. Emma e Dexter se divertem pós baile de formatura, naquela empolgação da juventude de querer e ansiar por fazer qualquer coisa. Nada acontece, eles ficam sem graça um com o outro, ambos pensam nas possibilidades e no que cada um quer para si a partir desse dia. E se tornam amigos, na amizade que possui a conexão de almas mais profunda que existe.

O romance escrito por David Nicholls é sobre um casal de amigos que se ama muito, mas que por sua diferenças, não sabe como dizer um ao outro que estão prontos para tentar. E, na verdade, não estão mesmo.

Dexter Mayhew é um playboyzinho privilegiado que tem todas as oportunidades que ele desejar a seu alcance. Ele é mimado e muito bonito (e sabe disso). Resumindo: Dex é o retrato do homem infantil que é tratado por todos como um menino que ainda está aprendendo como lidar com a vida e que não sabe como e quando crescer.

Emma Morley é uma mulher brilhante, dona de si e que sabe bem o que quer, que não se deixa levar pelos sentimentos por saber muito bem aonde aquilo poderia para. Mesmo assim, ela ainda se submete a situações que jamais teria se metido se ouvisse mais o que as pessoas que realmente se importavam com ela lhe diziam. Emma foi brilhante como escritora, como professora, como tudo o que ela quis. Seu problema era amar Dexter até mesmo quando ele não merecia. E tudo bem.

Durante anos e anos e anos, vemos os dois se encontrarem, se divertirem, brigarem e chorarem, sempre pairando sobre eles a sombra do amor. O amor sempre esteve ali, mesmo nos momentos em que ambos estiveram inalcançáveis um para o outro. Mesmo que nunca admitissem para ninguém além deles mesmos.

Dexter fez muita merda, magoou a si, magoou a Emma, magoou as pessoas que ama. Se perdeu muitas vezes e provavelmente deve se perder até hoje, basta um momento de tristeza profunda, ou qualquer sinal de infelicidade, que ele fica totalmente fora da casinha. Ok que as coisas ficam complicadas para ele em certo momento e que os acontecimentos o levaram a caminhas lentamente por anos até o verdadeiro fundo do poço, mas, minha nossa, como esse personagem é CHATO! Faz parte da narrativa, mas ele é o que ele é: chato!

Demora quase 20 anos para que eles finalmente entenderem que devem ficar juntos, quando ambos estão maduros os suficiente para não se magoarem e serem verdadeiramente felizes juntos. E eles são, por um breve momento.

Afinal, quanto tempo vale esperar por um amor? Quanto vale guardar seus sentimentos para si? Quantas oportunidades foram perdidas por medo ou por talvez um preconceito bobo? Em e Dex, Dex e Em. Eles poderia ter tido uma vida longa e incrível juntos, se não fosse a infantilidade do Dexter ou a cabeça dura da Emma. Ambos se amaram desde o primeiro momento e perderam tempo. O tempo é precioso demais e ele nunca para. E nunca é o suficiente para ser desperdiçado.

Um Dia foi adaptado pro cinema em um filme homônimo dirigido por Lone Scherfig e chegou aos cinemas em 2011, com Anne Hathaway como Emma e Jim Sturgess no papel de Dexter. O filme é belíssimo, uma adaptação perfeita do livro. A própria Anne Hathaway é parecidíssima com a descrição física da Emma, incluindo as linhas de expressão quando ela sorri. É um dos meus filmes favoritos, apesar do peso dramático que ele traz. Todos os diálogos e até as roupas que a Emma usa, são super fiéis às descrições do livro. Um trabalho realmente minucioso e delicado. O filme está disponível na Netflix.

Para concluir, Um Dia não é um romance leve. Ele vai mexer com coisas que você nem sabia que sentia, vai trazer novas dores, vai te torturar com sentimentos sufocados, vai fazer você odiar o Dexter praticamente o livro inteiro e sentir ódio pelo modo que ele leva a vida, desperdiçando o maldito tempo. Mas, no fim, vai te deixar com uma sensação de que “é isso, a vida é isso aqui e talvez eu esteja perdendo tempo demais, sendo bobo demais”. Vale a leitura e valem todas as lágrimas.

NOTA: 3,9/5

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