CRÍTICA | ‘Tempo (2021)’, é a prova que o ser humano é capaz de tudo para testar uma teoria

Digamos que você chega no cinema e resolve comprar um ingresso para um filme aleatório, sem saber absolutamente nada sobre ele, nem mesmo o nome do diretor chamou a sua atenção. Você senta de frente para a telona e os créditos iniciais começam, a direção do filme escolhido é de M. Night Shyamalan e você sabe, bem ali naquele momento, que fez uma ótimo escolha e seu cérebro vai fazer uma viagem maravilhosa.

O filme em questão é o último thriller do diretor (e também um dos atores do filme), Tempo, estrelado por Gael Garcia, Vicky Krieps, Thomasin McKenzie, Alex Wolff e Rufus Sewell, a história inicia com o casal Guy e Prisca Cappa indo tirar umas férias de família com seus dois filhos, Trent e Maddox, num hotel localizado numa ilha remota e extremamente paradisíaca. Trent é o filho mais novo do casal, é uma criança curiosa e tem uma mania peculiar de memorizar o nome e a profissão de todas as pessoas que ele conhece, já Maddox, a mais velha, já é mais protetora e não é muito falante com estranhos. Mesmo sem ser anunciado, é possível perceber que a família está passando por um momento difícil e aquela fugida da realidade é para respirar novos ares para a partir daí novas decisões serem tomadas.

O filme inteiro se passa em um dia, a família chega ao hotel é convidada para visitarem uma praia escondida dos olhos de turistas curiosos e ficam presos no paraíso tropical. O ponto chave da história inteira é quando você começa a entender que o tempo na ilha passa de uma forma extremamente rápida, minutos são anos e em um piscar de olhos sua vida acabou e você não tem uma segunda chance.

O enredo não enrola para começar, são 1h48min de puro suspense e um pouco de terror psicológico, onde mais uma vez o ser humano é posto em prova de que toda situação pode piorar em um ambiente remoto cheio de pessoas que espírito de liderança e vontade de “ajudar”, mais uma vez Shyamalan brinca com as nuances da psique e do desenvolvimento de relações entre desconhecidos em situação de crise.

A grande estrela de atuação e performance vai para atriz Thomasin Mckenzie que interpreta a versão de 16 anos da filha mais velha do casal Cappa, ela amadureceu junto com a sua personagem que deixou de ser uma criança e se tornou adolescente/adulta em poucas horas, mesmo o desenvolvimento do seu irmão mais novo ter sido lento, (o personagem do Alex só deixa de ser uma criança bobona no final da tarde, o que seria considerado quase 10 anos comparado com o amadurecimento de sua irmã e como o tempo passa dentro da ilha cercada pelas rochas), Maddox precisou vencer seus medos, ser forte pela família e apoiar o irmão no momento mais doloroso de sua vida. Ela esteve presente em todos os momentos cruciais em que qualquer um de seus familiares precisava só de um ombro para escorar a cabeça ou até mesmo cantar uma canção de ninar.

Minha grande preocupação foi com o desfecho, eu realmente pensei que fosse concluir tudo sem uma explicação, no mínimo plausível, para os absurdos que acontecem na ilha. Tudo é resolvido no último minuto de filme, sem tempo para respirar e muito menos questionar se o que realmente aconteceu é possível, apesar de não ser a melhor forma de encerrar o labirinto mental que a história inseriu na sua cabeça, faz sentido as explicações e todos os desfechos que findam no clímax final.

Tempo lançou em solo brasileiro em julho mas até o momento de conclusão desta crítica ele não se encontra disponível em nenhum serviço de streaming. Confira o trailer a seguir.

Nota: 4,7/5

Marcado:

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *