Maria de Maria: Nanda Costa e Luiza Shelling falam sobre força feminina e faroeste brasileiro

Foto: Laura Tardin

O faroeste brasileiro Maria de Maria chegou ao Festival do Rio 2026 colocando uma mulher no centro de uma história sobre sobrevivência, recomeço e luta por direitos. Dirigido por Luiza Shelling Tubaldini e protagonizado por Nanda Costa, o longa foi apresentado ao público na noite de 7 de outubro, na Estação Claro Gávea, no Rio de Janeiro.

Durante o tapete vermelho da estreia, Nanda Costa, João Campos, a diretora Luiza Shelling Tubaldini e o ator mirim Nilo Lima estiveram presentes. Em entrevista à Tribernna, elenco e diretora falaram sobre a construção do filme, a força de Maria e os elementos que ajudaram a transformar a produção em um faroeste com identidade brasileira.

Elenco de Maria de Maria | Foto: Laura Tardin

Nanda Costa encontra sua Maria

Para Nanda Costa, a chegada de Maria de Maria aos cinemas e festivais acontece em um momento especialmente significativo. A atriz destaca que, apesar de a história se passar no Brasil de 1940, os temas abordados pelo longa permanecem atuais.

“Eu acho que ele é atemporal, eu acho que ele podia estar sendo lançado em qualquer momento”, afirmou a atriz.

Na visão de Nanda, a trajetória da protagonista conversa diretamente com questões como trabalho, moradia, independência e a luta pela manutenção de direitos conquistados. Por isso, ela considera uma honra fazer parte do projeto neste momento.

A atriz também contou que chegou a questionar se teria a força necessária para interpretar Maria depois de ler o roteiro. A resposta veio da própria diretora, Luiza Shelling Tubaldini, durante um momento desafiador da preparação para o papel.

Segundo Nanda, Shelling olhou para ela e disse que “o útero de uma mulher tem que ser macio o suficiente para não machucar uma criança, e firme o suficiente para segurá-la”. Em seguida, completou: “E você segurou duas de uma vez, é você que eu queria”.

A fala foi determinante para que a atriz aceitasse o desafio e seguisse em frente com a personagem.

Nanda Costa | Foto: Laura Tardin

Para Nanda, Maria também representa uma homenagem às mulheres que abriram caminhos antes dela. A atriz chama atenção para a presença feminina em diferentes áreas da produção, incluindo direção de arte, figurino e produção executiva.

“Eu acho que Maria de Maria, muitas Marias, e todas essas mulheres também que colaboraram para eu pari-la hoje”, declarou.

João Campos | Foto: Laura Tardin

João Campos destaca a atualidade da história

Interpretando José Antônio, João Campos encontrou no personagem e na força do roteiro os principais motivos para aceitar o projeto. O ator, que é de Brasília, também destacou a importância de filmar na Chapada dos Veadeiros, em Goiás, região que possui um significado pessoal para ele.

“Foi um filme que reuniu muitas coisas importantíssimas para mim: o cinema, a Chapada, parceiras e parceiros maravilhosos de trabalho e esse personagem incrível”, contou.

Para o ator, Maria de Maria utiliza a linguagem do faroeste para contar uma história profundamente brasileira. Embora a narrativa esteja ambientada na primeira metade do século XX, João acredita que seus conflitos continuam próximos do presente.

“É uma história que se passa metade do século passado, mas ela é absurdamente atual”, afirmou.

O ator também relaciona a trajetória de Maria à necessidade de lutar por direitos e pela possibilidade de construir um futuro diferente.

“A gente não vai conquistar, a gente não vai ganhar nada sem lutar, e muito”, disse.

Equipe e elenco do filme | Foto: Laura Tardin

Luiza Shelling transforma Goiás em cenário de um faroeste brasileiro

A diretora Luiza Shelling Tubaldini conta que chegou ao filme com referências clássicas do gênero, passando por nomes como Sergio Leone e Fred Zinnemann, além dos quadrinhos de Tex e do trabalho de Moebius em Blueberry.

No entanto, segundo a cineasta, nenhuma dessas referências foi capaz de superar a influência do próprio território onde a história foi filmada.

“Parece brincadeira falar isso, mas Alto Paraíso de Goiás foi altamente inspirador”, afirmou.

A partir da paisagem e da colaboração com a equipe, a diretora buscou construir uma produção que dialogasse com a tradição internacional do western sem perder sua identidade brasileira.

“Conseguimos ali, junto com a Nanda, de fato ancorar a nossa história e criar algo que fosse verdadeiro, original e oxigenasse, claro, a convenção internacional do que é um western com o sabor nosso”, explicou.

O resultado é uma história que utiliza elementos conhecidos do faroeste, mas os coloca dentro de uma narrativa sobre uma mulher brasileira em busca de autonomia e de uma nova vida.

Nanda Costta e Nilo Lima | Foto: Laura Tardin

Por que Maria de Maria?

O próprio título carrega uma dimensão simbólica para a diretora. Para Shelling, Maria não representa apenas uma personagem, mas todas as mulheres que atravessam a história.

“O filme se chama Maria de Maria porque são todas as Marias, são todas as mulheres”, explicou.

A diretora também considera o nome uma forma de representar a amplitude e a importância da figura feminina.

“Maria é um nome tão amplo, tão nobre, que carrega tanto valor, que traduz o respeito que a mulher merece”, afirmou.

A ideia atravessa também a experiência de realização do longa, que, segundo Nanda Costa, contou com a participação de diversas mulheres em posições importantes da equipe.

Entre a tradição do western, a paisagem do Centro-Oeste e uma protagonista determinada a reconstruir a própria vida, Maria de Maria transforma uma história ambientada nos anos 1940 em uma narrativa que o elenco e a diretora enxergam como especialmente conectada ao presente.

Exibido no Festival do Rio 2026, o longa também está previsto na programação da Mostra de São Paulo deste ano. A produção ainda não possui data de estreia comercial definida.

Leia nossa crítica sem spoilers aqui.

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