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CRÍTICA | Última temporada de “Bom Dia, Verônica” explora o mais profundo e cruel do crime organizado

Depois do final agridoce na brilhante sua segunda temporada, Bom Dia, Verônica retornou para a sua terceira e última temporada com apenas 3 episódios de tirar o fôlego. A série brasileira é baseada no livro homônimo escrito por Raphael Montes e Ilana Casoy, que também assinam o roteiro da série, e dirigida por José Henrique Fonseca.

Na sua primeira temporada, Verônica Torres (Tainá Müller) é uma escrivã da polícia civil que se vê obrigada por seus instintos a investigar um caso e acaba chegando à um serial killer. Depois ela descobre que a rede de mentiras envolvendo os crimes desse serial killer é muito maior do que ela imaginava e depois de fingir sua morte, ela vai atrás de quem acobertava o Policial Brandão (Edu Moscovis). É então que ela começa a investigar Matias Carneiro (Reynaldo Gianecchini), o líder de uma seita religiosa que recrutava mulheres para o tráfico humano.

Após desmontar o esquema de Matias, Verônica ainda precisa ir atrás do cabeça da organização, o Doúm. É aqui que as investigações dela nos trazem para esta terceira temporada, que conta com a adição maravilhosa de Rodrigo Santoro no papel de Dom/Jerônimo Soares e Maitê Proença como Diana, como os vilões finais.

Rodrigo Santoro como Jerônimo Soares e Maitê Proença como Diana em Bom Dia, Verônica. Netflix, 2024.

Sobre as atuações, não há o que criticar. Desde o seu começo a série traz atuações magníficas, tanto no elenco principal, quanto do secundário. Mais uma vez o destaque vai para a Tainá Müller, que toma a série para si com unhas e dentes, tornando a Verônica uma personagem fácil de se gostar e de sofrer junto com ela, que vive no meio do olho do furacão desde aquele fatídico dia que uma mulher entrou no seu trabalho e se matou na sua frente. Klara Castanho e Camila Márdila também entregam um belíssimo trabalho nos seus papéis das vítimas de Matias Carneiro que decidiram revidar.

Outro destaque é Rodrigo Santoro como o maior dos vilões. Ele consegue passar o ar de sedutor e assustador ao mesmo tempo e a sua cena final com o Reynaldo Gianecchini é uma das coisas mais lindas e perturbadoras de se assistir. Assistiria mais mil vezes esse final do Matias.

Reynaldo Gianecchini como Matias Carneiro e Rodrigo Santoro como Jerônimo Santos em Bom Dia, Verônica. Netflix, 2024.

O maior pecado do final de Bom Dia, Verônica foi ter apenas 3 episódios para trabalhar tudo o que seria necessário com mais calma. A série passou anos e duas temporadas construindo um arco gigantesco, abordando e discutindo assuntos seríssimos, e quando finalmente chega no mais importante, no topo do mais podre que o crime organizado faz, que é o tráfico humano, o roteiro corre com as soluções.

Não precisaria ter 8 episódios, só mais um seria o suficiente para trabalhar com mais calma os assuntos, o que tornaria a série bem menos corrida.

O final é justo e digno, não dá para dizer que não é, mas acontece de forma genérica justamente por ter faltado tempo de desenvolvimento. Mesmo assim, nada mais simbólico do que as mulheres vítimas de violência se juntarem para lutarem por elas mesmas. Lembra muito de The Handmaid’s Tale e a luta das Aias para escapar de Gilead. É o mais puro suco do que é definido como female rage: quando mulheres revidam ao seu modo e agora Verônica não está mais sozinha.

Bom Dia, Verônica. Netflix, 2024.
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