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CRÍTICA | “Besouro Azul” divertido e nostálgico, o filme não inova mas é excelente em sua execução

Nem todo filme urge da necessidade de salvar o cinema, de reinventar a roda, de ser inteiramente inovador… as vezes, dentro do seu gênero, ele precisa ser somente excelente em sua execução ao abrir as portas para um novo público. E é exatamente isso que Besouro Azul é, um excelente filme de origem, que bebe de tantas referências e clichês já vistos antes, mas, desta vez, com uma roupagem que gera identificação instantânea com nós, latinos.

No primeiro filme da DC protagonizado por um herói latino, conhecemos o jovem mexicano Jaime Reyes (Xolo Maridueña) que é surpreendido pelo destino ao se deparar com uma antiga relíquia de biotecnologia alienígena, conhecida como Escaravelho. O besouro alienígena azul escolhe Jaime para ser seu hospedeiro simbiótico – o que lhe dá uma armadura superpoderosa e lhe garante poderes. O problema é que o item é de grande interesse da empresária Victoria Kord (Susan Sarandon), que une forças ao vilão Carapax (Raoul Max Trujillo) para recuperá-lo. Nessa confusão toda, Jaime só poderá contar com a ajuda da própria família e da jovem Jenny Kord (Bruna Marquezine).

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Com a direção do porto-riquenho Angel Manuel Soto, o filme carrega consigo uma identidade muito clara e familiar para nós brasileiros. Apesar da família ser vinda do México, muito de seus costumes, cultura e hábitos trazem uma similaridade com o Brasil, o que faz do filme mais fácil de ser conquistado por este público em específico. Logo, piadas, referências da cultura pop e o jeitinho de lidar com adversidades podem fazer você se sentir em casa.

Todavia, “Besouro Azul” não nos convence ou nos faz se apaixonar só por causa da sua identidade latina sem estereótipos. Na verdade, o novo longa da DC assume toda sua cafonice e breguice e traz uma produção que é a melhor essência de um filme de origem de um super-herói. Com família, super vilões e uma mente maligna por traz, a obra é quase nostálgica, como se nos remetesse a uma produção dos anos 80 e a magia de ficar de bobeira enquanto assiste sessão da tarde. E, o roteiro cômico family friendly ainda tira um tempinho para construir pequenas críticas sociais que envolvem o contexto socio-econômico da família, o que faz dele algo além de uma obra esquecível que passará direto dentre os lançamentos do ano.

Sua construção narrativa é simples e sem muitos rodeios, usa suas 2 horas e 08 minutos para construir um protagonista sólido e carismático, enquanto expande suas motivações através de sua família e seu possível interesse amoro – o qual é a cola que o une com o seu novo alterego. Apesar de, um pouco longo para uma história genérica, a duração passa por um piscar de olhos e nos faz pedir por mais. Não sei se é pelo carisma do elenco ou pela história fácil de ser consumida, só sei que o que eles fizeram aqui deu muito certo.

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Ainda que o elenco que compõe a família tenha me surpreendido muito positivamente, preciso destacar o entrosamento entre os dois protagonistas: Xolo Maridueña e Bruna Marquezine. Além de darem certo individualmente em seus dramas, os atores compartilham de uma dinâmica e uma química invejável. Marquezine brilha e rouba a cena por diversas vezes, não se limitando ao par romântico, e tomando para si um papel quase de Bond Girl, mas daquelas que vai além de um rosto bonito, ela é daquelas que assume seu potencial como protagonista e eleva ao máximo com primor.

Infelizmente, Susan Sarandon fica um pouco de lado. Por vezes caricata, a atriz não ganha muito destaque na trama e é apagada pelos rostos juvenis. Isso não causa desconforto enquanto assiste, mas um certo desapontamento a respeito de seu potencial desperdiçado. Ainda bem que o carisma e a aptidão em cenas de ação de Xolo disfarça esse déficit e faz com que seus antagonistas sejam mais interessantes dentro de suas ameaças.

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Com efeitos visuais de cair o queixo, “Besouro Azul”  é uma salada de frutas das melhores qualidades das produções do nicho que vimos até aqui. Seja fazendo referência a Power Rangers, Homem Aranha, Chapolin Colorado ou famosas franquias de vídeo games, o novo herói se garante por si só, não se apoia em criar grandes conexões com universo da DC para convencer os dcnautas, mas alegra os nostálgicos com uma volta no tempo para a era despreocupada dos blockbusters que tinham uma única missão: te divertir.

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