Eu ainda estou impressionado com a belíssima edição da editora Pipoca & Nanquim para os quadrinhos “Os Mitos de Cthulhu”, de Esteban Maroto, baseado na obra de H.P. Lovecraft. Todo o material usado para a edição da obra é simplesmente belíssimo, que torna o exemplar ainda mais sublime.
A edição do quadrinho reúne três histórias escritas por Lovecraft, que foram tornadas gráficas por Maroto. Antes mesmo das narrativas iniciarem, conta-se como fora iniciado o projeto para tornar as histórias gráficas, há mais de 30 anos, como deu errado e como voltou a ser empregado tantos anos mais tarde.
Admito que eu queria muito (tipo, bastante) comprar essa obra e, quando vi uma promoção na Amazon, não resisti. Até porque, sempre quis saber mais histórias de Cthulhu, talvez uma das criaturas míticas mais conhecidas da literatura mundial. No entanto, por outro lado, desde que eu soube do viés racista de Lovecraft, eu desanimei em ler as obras dele.
Felizmente, ao comprar essa obra de Esteban Maroto tive gratas surpresas. A primeira é que as obras de Lovecraft já são domínio público (o que eu já poderia saber, mas nunca pesquisei sobre). A segunda é que Maroto não “passa pano” para Lovecraft. Logo no prólogo da obra, o ilustrador destaca o racismo de Lovecraft e “outros tipos de discriminação, como sua reconhecida misoginia”. Isso nos leva aquele antigo debate de “obra x autor”, mas não entrarei nele.
Voltando à obra, preciso admitir que: gostei mais dos quadrinhos do que propriamente das histórias. Há, de fato, uma aura de horror mítico em todas as três narrativas, no entanto, para mim, as belíssimas imagens de Maroto fizeram total diferença – o que se soma, destaco mais uma vez, à belíssima edição da Pipoca & Nanquim.
As narrativas dos três contos também são interessantes. Em alguns momentos, lendo com calma cada uma delas, senti um leve arrepio, que me colocava totalmente imerso naquele universo de situações mitológicas. “Os Mitos de Cthulhu” vale a pena, principalmente para quem quer conhecer o universo de Lovecraft – mesmo para aqueles que têm ressalvas com o autor, como é o meu caso.