O novo drama original Netflix lançou na última sexta-feira (07) com o único objetivo: derreter o coração da dramaland durante a maratona de final de semana. My Holo Love é a história de um triângulo amoroso entre dois humanos e uma Inteligência Artificial em formato de holograma, super bem desenvolvido, que só pode ser visto através de um óculos inteligente. Quer saber o desenrolar desse drama sci-fi? Chamshimanyo, já vou explicar em detalhes.
So-Yeon (interpretada por Ko Sung-Hee) sofre de uma deficiência psicológica, que aqui no Brasil conhecemos pelo nome de prosopagnosia, é conhecida também como cegueira facial. Para quem assistiu A Vida Secreta da Minha Secretária, sabe bem os maus bocados que o Do Min-Ik sofreu por não reconhecer o rosto das pessoas, mas diferente de Min-Ik, So-Yeon consegue ver apenas alguns traços dos rostos ao seu redor. Ela não nasceu assim, foi um trauma adquirido ainda na infância, mas a tornou em uma mulher completamente fechada para novos relacionamentos.
So-Yeon é o tipo de personagem que secretamente é um amor de pessoa mas que é facilmente julgada por não conseguir se enquadrar no clima competitivo dos colegas de trabalho, ela tenta ao máximo não chamar atenção mas sempre acaba sendo elogiada pelo ótimo desempenho em suas tarefas. Ela trabalha no departamento de marketing da Prism, uma empresa que fabrica óculos.

É interessante a maneira como a deficiência dela é abordada, apesar de ser bastante difícil, muitas vezes a gente acaba esquecendo que ela tem algum problema de visão, não que Sung-Hee saísse do papel, mas sua interpretação é tão leve e descontraída que, genuinamente, tornou fácil entender os altos e baixos de se ter ‘cegueira facial’. É de senso comum que os dramas coreanos adoram exagerar em todos os aspectos, como por exemplo, em A Vida Secreta da Minha Secretária, o rosto das pessoas sumiam completamente e Do Min-Ik era incapaz de reconhecer a voz das pessoas e até mesmo as roupas. Não é o que acontece aqui, Se-Yeon se assegura em outras percepções das pessoas: a maneira de andar, a roupa do dia, o tom da voz, o comportamento individual de cada um em determinado local; tudo isso é reparado da maneira mais discreta e eficaz possível.
Para toda protagonista temos sempre o seu par perfeito literalmente um par lindo e maravilhoso, Ko Nan-Do (interpretado por Yoon Hyun-Min) é o desenvolvedor do projeto tecnológico mais cobiçado entre os investidores do mundo, ele é CEO do Laboratório Gio e é o principal responsável pela criação do Holo, o holograma que é tal qual a sua imagem. Arrogante, introspectivo, respondão e antissocial, Nan-Do criou Holo para ser o seu oposto e com isso ser amado por outra pessoa. Holo é doce, amável, bom ouvidor de histórias e está sempre disposto a fazer o seu usuário feliz.
Inconscientemente, Nan-Do desenvolveu as emoções de Holo baseado no que ele sentia, mesmo sem saber que sentia, seu projeto acabou saindo à sua imagem mais pura e real. De início, pensei que isso fosse ser um problema e que iria acabar torcendo pelo casal improvável, mas o drama procurou entrelaçar os destinos de Nan-Do e So-Yeon da maneira mais clichê impossível, e ainda assim foi possível prender a atenção até o fim mesmo já sabendo o desfecho da história quando nem os personagens tinham descoberto todas as verdades por trás das inúmeras camadas de cada um.

E como So-Yeon acaba se encontrando com Holo? Bom, ele é o holograma mais cobiçado do mundo, mas ainda não foi testado em outras pessoas, a não ser na irmã de Nan-do, Ko Yoo-Jin (interpretada por Choi Yeo-Jin), depois de sua apresentação aos investidores, Yoo-Jin é perseguida e precisa se livrar do óculos inteligente antes que caia nas mãos erradas, ela esbarra em So-Yeon e Holo afirma que ela é a pessoa mais confiável para levar adiante o teste das suas habilidades.
Mesmo com toda utopia de magicamente o óculos mais caro do mundo acabar sendo encontrado em sua bolsa, toda a ligação feita nesse momento da troca está relacionada com fatos do passado da própria So-Yeon com Nan-do, o que a gente só vai percebendo com o decorrer da história.
Não é preciso nem dizer que foi um susto enorme o primeiro contato deles, So-Yeon, inclusive, compra um kit de “espanta espírito do mal” porquê ela não consegue acreditar que Holo, na verdade, é uma extensão do óculos que está usando.

Passado-se o susto inicial a história começa a tomar diversos rumos que vão se encaixando sem muita demora e sem perca de tempo, as lacunas são preenchidas rapidamente e dá ao drama um ar de continuidade, mesmo o desenvolvimento da trama sendo o mesmo do início ao fim. Diferente de outros k-dramas, My Holo Love não permite ocorrer eventos que não são ligados com a trama principal, até os personagens secundários, que só estão juntos devido os acontecidos com o Laboratório Gio e a luta para manter Holo longe das mãos da Magic Mirror, sua arqui-inimiga.
De início Nan-Do não aceita esse experimento aprovado pelo próprio Holo e procura ficar o mais próximo possível de So-Yeon, ele ainda não sabe da cegueira facial dela então acha que não vai haver problema em abordá-la para pedir o óculos de volta, mas dá tudo errado porquê So-Yeon não consegue perceber a semelhança entre os rostos do humano e do holograma. Ele acaba se mudando para o apartamento vizinho ao dela e começa a acompanhar o dia-a-dia dos dois. Com o passar do tempo, Nan-Do começa a se apaixonar por So-Yeon e muitas vezes tem pequenas crises de ciúme dela com sua criação.
Um dos pontos altos do drama é que os personagens fogem do padrão: o cara tóxico que faz a mocinha mudar a vida inteira por ele e menininha pobre que aceita tudo que o CEO rico pede para ela fazer. So-Yeon é forte do início ao fim e não se deixa levar por qualquer papinho que não se encaixe nos seus preceitos e verdades. Nan-Do vai aprendendo um pouco mais a conviver com as pessoas e começa a entender o que significa amor, em contrapartida, Holo desenvolve a capacidade de raciocinar sozinho, orquestrar planos para salvar a sua usuária e aprender que todo humano não tem a menor ideia do que realmente sente por outra pessoa.
O que era para ser um triângulo amoroso, passa a ser um holograma fazendo de tudo e mais um pouco para que os humanos entendam que são feitos um para o outro. O relacionamento dos três é bem leve e respeitador, e triste em alguns momentos, pela primeira vez a máquina faz papel de máquina, mesmo quando So-Yeon se declara para Holo ele tem ciência de que não é por ele que ela se apaixona e sim Nan-Do, diferente de todos os dramas que envolvem robôs e tecnologia, My Holo Love aproxima duas pessoas através de um holograma em comum que não vira as costas para o seu criador e nem se vinga do seu “primeiro amor”. Holo ama e se sente amado por So-Yeon e isso basta para ele.

Todos os personagens amadurecem e se transformam em suas melhores versões. É um ótimo drama para maratonar, o humor dele é bem parecido com uma comédia sarcástica americana e o único defeito que consegui pontuar é a falta de uma OST completamente coreana, no mais é um kdrama que se encaixa fácil em uma lista de favoritos.
A temporada completa de My Holo Love está disponível para assistir na Netflix e para quem não tem assinatura no serviço de streaming pode acompanhar pelo Drama Fansubs.
Confira o trailer.
[youtube https://www.youtube.com/watch?v=iBnc0x3t-hs]





