As ilustrações representam visualmente uma história, um sentimento, um desejo. Presentes em histórias em quadrinhos e posteres, as ilustrações dão vida a uma ideia, a algo que antes era só fruto da imaginação e que cria vida a partir dos traços bem delineados.
As mulheres aos poucos foram conquistando, arduamente, seu espaço no mundo das ilustrações. Rose O’Neill foi a primeira mulher quadrinista publicada nos Estados Unidos em 1909. Além disso a cartunista e ilustradora criou inúmeras ilustrações com poemas que defendiam o direito feminino ao voto, ou temas (que na época eram polêmicos) relacionado as mulheres. Devemos mencionar honrosamente também a cartunista Jackie Ormes, a primeira cartunista negra e conhecida por ser criadora da história em quadrinhos Torchy Brown.
Diversas mulheres inspiram e fazem história até hoje, podemos mencionar Jenny Frison, Becky Cloonan (primeira mulher a ilustrar o principal título do Batman para DC), Amanda Conner e as brasileiras Adriana Melo (Aves de Rapina, Miss Marvel, Lanterna Verde, O Espetacular Homem Aranha, Star Wars etc), Ursula Dorada, Priscilla Tramontano dentre outras.
Na matéria especial de hoje, iremos apresentar três ilustradoras brasileiras que merecem sua atenção.
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(acima) Brenda, a paulista de 20 anos faz faculdade de Design Gráfico e estagia em uma gráfica local. Nas redes sociais é conhecida como Nami Art.
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(acima) Brendda Maria, a cearense de 26 anos atua na área de Design Gráfico. A natural de Fortaleza afirma que sua paixão é fazer ilustrações e quadrinhos. Nas redes sociais é conhecida como drawbrendda.
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(acima) Julia Bruno Mello (Jubs), a paulista de 22 anos é ilustradora freelancer e trabalha com animação. Nas redes sociais é conhecida como sailorjubs.
1. Quando você começou a desenhar?
Brenda: Desenho desde criança, mais precisamente na época da escola, desenhar era um refúgio pra mim que era um pouco descolada das outras crianças, sempre gostei de desenhos animados e essa foi e ainda é a minha maior inspiração para o meu traço, o estilo Cartoon é o meu favorito e atualmente me inspiro em animações como Over the Garden wall e Bee and PuppyCat.
Brendda Maria: Assim como outros tantos ilustradores, eu desenho desde pequena. Desenhar quadrinhos surgiu, pra mim, em 2013/2014 quando conheci o trabalho de várias quadrinistas feministas. Ver mulheres escrevendo histórias para mulheres me motivou a pensar minhas próprias narrativas. Em 2016 eu comecei a colocar nas páginas que eu estava escrevendo, os sentimentos que passavam pela minha cabeça. Eu já tinha ansiedade e não sabia lidar com ela. Eu ainda não sei, mas confesso que escrever sobre me ajuda e não entrar em parafuso.
Julia: Acho que comecei a desenhar desde que me entendo por gente! Lembro que saia desenhando pelas paredes, as pessoas em volta, e aos seis anos enquanto assistia TV, anunciei bem alto para meus pais: “Vou trabalhar com animação!” . E o resto é pura dedicação e muito esforço para chegar no traço que vocês veem hoje em dia, que esta constantemente sofrendo mudanças. Acho que estilo vem mesmo com o tempo. É algo tão orgânico que vem com a evolução diária de tanto treinar e se inspirar em outros artistas! Me encontrei no meu estilinho “cartoon mangazado” bem por causa que amo ver como meus amigos artistas e outros artistas resolvem seus desenhos, cada um tem uma visão especial de se ver, aprendi muito assim!
2. Já encontrou alguma dificuldade/obstáculo por ser mulher no mundo das ilustrações?
Brenda: Já duvidaram muito das minhas habilidades por eu ser mulher, como se tivesse sido outra pessoa que tivesse feito a arte.
Brendda Maria: Me considero privilegiada por não passar por tantas situações ruins sendo mulher e artista. Entretanto já estive na posição de pessoas me elogiarem ao invés de elogiarem meu trabalho, ou ignorarem a minha presença. O caso que mais me incomodou aconteceu em uma feira em Fortaleza. Era o lançamento do meu primeiro quadrinho junto com a Débora Santos e um cara se aproximou da mesa, pegou nosso quadrinho e se dirigiu ao Márcio Moreira (que também faz parte do coletivo junto comigo, Débora, Talles e Nícolas) que estava sentado ao meu lado, querendo saber mais da obra.
Julia: Acho que não necessariamente por ser mulher, e sim jovem – eu sendo a louca por trabalho e freela que sou, já aos 18 anos saí em busca de um trabalho na cidade que morava. A coisa que naquela época não era qualificada para a maioria das posições na área de animation/ilustração, e por não possuir experiência dificultou muito as coisas. Por isso resolvi vir para São Paulo e estudar tudo e além do que podia para entrar no mercado!
3. Nos conte a melhor experiência que você já teve graças aos seus desenhos.
Brenda: Foram muitas experiências incríveis que tive até agora, como parcerias e até convites de trabalhos para ilustrar livros e quadrinhos, mas as que me deixaram e ainda me deixam feliz é ver e conhecer outros artistas que são incríveis pra trocar algumas ideias.
Brendda Maria: Todas as viagens que já fiz pra fora de Fortaleza, por conta do meu trabalho, foram mega especiais. A mais recente foi pra São Paulo. Eu nunca tinha ido a Comic Con e na oportunidade não só dividi mesa com a Mariane Gusmão, quanto estive num papo muito incrível sobre mulheres na cultura pop. Eventos sempre me renovam e em SP eu tive uma dimensão de como meu trabalho dialoga com quem me lê. Me senti emocionada, abraçada, acolhida e isso foi incrível.
Julia: A melhor experiência graças ao meu trabalho foi conhecer pessoas maravilhosas que abraçaram o que faço com tanto amor e carinho! Sou muito grata a cada ser humaninho especial que fez e faz meu dia dia ser muito mais feliz por elogios, fofura e amizade! Essa saudável interação me inspira muito para produzir.
4. Qual mensagem que você pretende enviar com seu trabalho?
Brenda: Eu tenho o foco no desenhos de personagens e quero que eles passem a ideia que são divertidos pra quem está olhando, também tenho algumas histórias engavetadas que vão sair da gaveta em breve e espero que todas as pessoas possam de identificar de alguma forma.
Brennda Maria: Quem tem ansiedade sabe o quanto a gente fica paralisada e inseguro com o que fazemos. Eu desenho para tentar encontrar o melhor de mim nos meus piores momentos. Mas sabe… Por mais que a vida seja cheia de altos e baixos a gente sempre vai aprender algo pra melhorar a nós mesmos. E se você, ao ler algo que desenhei, se sentir comovido de alguma maneira, eu já vou estar muito feliz.
Julia: Pretendo poder inspirar outras pessoas a criarem suas próprias produções e serem felizes com o que se dedicam.
Apoie e conheça mais dos trabalhos das ilustradoras:
Brendda Maria: Instagram, Tumblr e Medium.
Julia: Instagram e ArtStation.

