CRÍTICA | “Flow” é uma animação emocionante marcada por beleza e simbolismo

Flow” faz jus aos elogios que vem recebendo desde sua estreia. A animação vencedora do Globo de Ouro tem grandes chances de conquistar ainda mais reconhecimento e até a estatueta do Oscar.

O protagonista é um gatinho preto solitário que vive em uma casa que parece familiar, mas sua rotina de caça e fuga de animais maiores é interrompida por uma enchente devastadora, que o força a se adaptar a um novo cenário de sobrevivência. A partir daí, ele encontra um barco e embarca em uma aventura repleta de desafios.

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O maior obstáculo desse protagonista, no entanto, é a necessidade de se integrar a um grupo para sobreviver. Ao longo da trama, ele interage com outros animais, cada um trazendo sua própria bagagem de solidão e dificuldade de pertencimento. Entre os personagens, temos um cachorro que não compartilha a agressividade dos outros cães, uma garça com ideais diferentes dos demais, uma capivara que promove a união do grupo e um lêmure, que tem dificuldades de se conectar com os outros.

A jornada do gatinho é, em essência, sobre aprender a confiar, a se abrir e a viver em comunidade. Sem diálogos, o filme transmite de maneira sutil e sensível temas como amizade, confiança e conexão. A escolha de não humanizar os animais e o uso exclusivo dos sons da natureza e dos próprios animais são decisões acertadas, criando uma experiência imersiva, onde o espectador compreende os sentimentos através da expressão dos personagens e não das palavras. Isso torna “Flow” um filme que emociona e coloca o público dentro de um turbilhão emocional, quase como se estivéssemos juntos no barco em meio ao tsunami.

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Visualmente, “Flow” é uma obra de arte. A fluidez das animações, as cores vibrantes e as cenas subaquáticas com peixes são deslumbrantes. Em alguns momentos, a estética lembra um cutscene de jogo indie, com ângulos de câmera que nos fazem sentir parte da cena, especialmente durante as sequências no mar. O jogo de perspectivas, ajustando a altura da câmera de acordo com os animais em cena, é outro detalhe encantador, permitindo uma imersão ainda maior na história.

Outro ponto que merece destaque é a expressividade dos animais. Eles são tão bem animados que conseguimos sentir suas emoções e até “ler seus pensamentos”, o que se torna essencial para o impacto das cenas finais, que são verdadeiramente comoventes. Se você estiver num momento sensível, vale a pena ter um lenço por perto.

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Além disso, a nomeação de “Flow” ao Oscar já é uma vitória, considerando que seu orçamento foi significativamente menor que o de outras animações, como “Divertidamente 2” (US$ 200 milhões) ou “Robô Selvagem” (US$ 78 milhões). Com menos de US$ 4 milhões, o filme prova que produções independentes, feitas fora dos grandes estúdios e dos Estados Unidos, podem quebrar barreiras e surpreender. “Flow” é um filme poético, leve e encantador, que nos convida a desacelerar e refletir sobre nossas próprias conexões e o valor da comunidade.

O filme estreia nesta quinta-feira, dia 20 de fevereiro, nos cinemas de todo o Brasil.

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