CRÍTICA | Street Fighter aposta na nostalgia para envolver público

O ano de 2026 é, de fato, um grande momento para adaptações para os nascidos nas décadas de 1980 e 1990. Após o ótimo Mestres do Universo, é a vez de Street Fighter chegar às telonas e divertir os 30+. Dirigido por Kitao Sakurai, o longa aposta na nostalgia para divertir e envolver o público.

A nostalgia dos jogos e a caracterização dos personagens

Buscar a magia dos anos 1980 e 1990, inclusive, pareceu ser o caminho acertado para que o famoso jogo da Capcom finalmente ganhasse uma boa adaptação cinematográfica. A caracterização dos personagens e a performance dos atores foram, sem dúvida, dois dos maiores pontos altos de Street Fighter. Ademais, a trilha sonora também pode ser apontada como uma das protagonistas da produção.

Com um grande elenco, que vai desde nomes como Jason Momoa, 50 Cent e Noah Centineo (uma surpresa agridoce para mim) até a jovem Callina Liang, o filme consegue encontrar o seu grupo de personagens, que vai agradar aos espectadores que consumiram a franquia de jogos em algum momento ao longo da vida. Isso porque os atores — destaco, inclusive, Centineo e Liang — claramente se dedicaram para adaptar bem os seus personagens. Além deles, Vidyut Jammwal apresenta uma performance fantástica ao interpretar Dhalsim. A intérprete de Chun-Li chegou a partilhar que teve intenso treinamento em artes marciais e precisou de uma dieta hiperproteica para viver a famosa lutadora.

Roteiro e lutas: os pontos que deixam a desejar

Preciso admitir que estava com as expectativas extremamente baixas para a produção. No entanto, nem mesmo o roteiro, que pode ser apontado por alguns como “discutível”, me desagradou. Apesar da demora inicial para o desenvolvimento da história, o roteiro avança bem e entrega uma história “redonda”, apesar de incompleta (o projeto claramente foi pensado para ser desenvolvido em dois atos).

Apesar de todos os pontos fortes supracitados, acredito fielmente que o apelo à nostalgia dos jogos e personagens tem grande potencial para limitar Street Fighter a um público nichado, o que pode impedir que o filme atinja novos espectadores e tenha o reconhecimento merecido.

Digo isso porque, apesar de bem coreografadas, algumas cenas de luta, com efeitos especiais duvidosos, dão um tom quase “pastelão” ao filme. Em determinado momento, ficou a impressão de que Kitao Sakurai mirou nos grandiosos embates da franquia Vingadores, mas não obteve tanto sucesso ao apostar nisso. Até mesmo o combate entre Ryu e Akuma deixou a desejar — isso, talvez, pela falta de aprofundamento nesta questão.

Ken ganha destaque na nova adaptação de Street Fighter

Aos fãs de Ryu, não esperem tanto protagonismo do personagem. A nova versão de Street Fighter, apesar de citar a dualidade interna do lutador e a busca pelo equilíbrio de Yin e Yang, foca seus holofotes no desenvolvimento de Ken. Para o bem e para o mal, o lutador loirinho como protagonista ditou bem o tom de humor do longa.

Afinal, Street Fighter vale a pena?

Street Fighter agrada e é uma boa adaptação dos jogos da Capcom. No entanto, limitado pela sua onda nostálgica, parece ficar aquém de ser um filme melhor. O filme está em exibição nos cinemas.

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