Com a assinatura do cineasta Guy Ritchie, Prime Video lançou no fim do mês de junho “O Pacto“, um longa inesperado, surpreendente e repleto de uma tensão exorbitante. Estrelado por Jake Gyllenhaal, o filme de guerra foge (um pouco, ao menos) do estereótipo do seu gênero e constrói uma jornada de tirar o fôlego, executando com louvor toda sua proposta.
O filme, que é ambientado durante a Guerra do Afeganistão, nos apresenta ao Sargento John Kinley (Gylenhaal). Afim de avançar em uma missão contra o Talibã, o militar recruta o intérprete local Ahmed (Dar Salim). Porém, no confronto surgem contratempos que deixam Kinley gravemente ferido. Esse é o começo de uma jornada que marcará não só a vida dos dois de maneira pessoal, mas irá colocar um alvo em suas costas.

Ao assistirmos “O Pacto” fica evidente a construção dos três atos e o elo que os une. O longa se inicia com uma missão típica do esquadrão, que acaba dando errado, segue para uma jornada de sobrevivência e, por fim, se encerra com um resgate regado de adrenalina. O elo? O vínculo e a lealdade entre militares.
Um dos pontos que, ao meu ver, foi melhor executado foi a construção da confiança mútua entre os dois protagonistas, que progride para uma dívida moral e um acerto de contas. Como a maioria dos filmes do gênero, a relação começa conturbada mas desenvolve dentro da ação da guerra para algo mais intenso, dramático e íntegro.
O roteiro de Ritchie em colaboração com Ivan Atkinson é exímio em construir relações, em diálogos combinados com o direcionamento de Ritchie em sua direção fenomenal. Não se engane, não há nada piegas como melhores amigos nesta trama, o senso de lealdade e cumplicidade é o foco deste relacionamento, que passa por tantos altos e baixos que é impossível não se comover, torcer ou vibrar pela dupla.
A atuação de Gylenhaal realmente não deixa a desejar, mas o que se sobressai é sua dinâmica com Salim. O conflito de duas personalidades fortes e imbatíveis rende momentos que nos faz questionar do rumo da história, e, assim, nos surpreendendo com ações dignas de serem eternizadas.
As cenas de combate, bem como as cenas que eles tentam fugir do combate, são regadas de uma tensão avassaladora. Ritchie trabalha a seu favor com o pavor da guerra, sem apelar a todo momento para os confrontos diretos. Os momentos em que sua direção brilha são aqueles em que estamos à espreita de algo terrível.
“O Pacto” subverte a expectativa do espectador que espera mais um filme qualquer de guerra, mas acaba ganhando algo intenso, avassalador e inesperado. Guy Ritchie entrega, mais uma vez, um excelente trabalho, daqueles que nos dá o desejo inevitável de indicar para todos os nossos amigos.
Nota: 4,5/5





