Se este foi realmente o objetivo do programa, eu não sei, mas “A Batalha dos 100”, um dos mais novos realitys da Netflix, demonstra que o “corpo perfeito” não existe, pelo menos não dentro dos padrões exigidos e apontados pela sociedade. Desta forma, o excelente reality show sul-coreano vai além de onde Ultimate Beastmaster conseguiu chegar.
Isso porque, sem dar spoilers, torcemos por diferentes personagens, homens e mulheres, independentemente de raça, desde o início da primeira temporada. Torcemos por pessoas mais velhas, jovens, mais fortes, mais magras, mais gordas, mais altas, mais baixas e, assim, sucessivamente.

Talvez, por isso, o maior acerto da Netflix tenha sido fazer as mais diferentes provas, demonstrando que o ‘corpo perfeito’ não pode ter um padrão pré-definido. Muitos atletas que participaram do reality show já eram conhecidos de outros participantes e do público, incluindo atletas olímpicos e outros influencers famosos. Mesmo assim, a fama pode não te fazer ir longe, como acontece com alguns participantes…
Ademais, como o título já diz, o ‘corpo perfeito’ não existe. Não é aquele com o corpo, aparentemente, mais definido ou atlético que avança no teste. Há determinadas provas que avançam quem tem mais força. Em outras, avançam aqueles com maior resistência, assim como, além destas, há aquelas que avançam quem tem maior velocidade, agilidade, inteligência, trabalho em equipe, adaptação a adversidades, entre diversas outras coisas.
Claro que, por outro lado, nem tudo é acerto. Para mim, obviamente, há erros. O principal foi a quantidade de personagens. O fato de ter 100 participantes não permite que você simpatize com muitos deles em um primeiro momento. Porém, felizmente, os produtores e diretores do programa resolvem isso rapidamente: logo na primeira prova valendo a sobrevivência, já há confrontos diretos, eliminando 50% dos participantes.

Daí para frente, o programa reúne um conjunto de habilidades, que envolvem o corpo e a mente, para provar que o ‘corpo perfeito’ vai muito além da casca. “A Batalha dos 100” demonstra que a busca pela perfeição física não se resume ao treinamento do corpo, com levantamento de peso e resistência, mas também inclui o trabalho de personalidades, aprimorando a liderança, o trabalho em equipe, além da criação de estratégias coletivas e individuais.
Para quem gosta de realitys shows com emoção, “A Batalha dos 100” é uma pedida mais do que certeira. Extremamente bem dirigido e bem roteirizado, o programa vai ligando um episódio ao outro, fazendo com que, logo ao fim de cada capítulo, queiramos ver o próximo. Ele quase chega a apresentar o que nós, brasileiros fãs de realitys, queríamos com No Limite, que, infelizmente, não atendeu às nossas expectativas.
Nota: 4,5/5






