2023 já começou com fins de temporadas, entre elas a comédia da Apple TV+, Mythic Quest. A série chegou ao fim da sua terceira temporada sendo tão irreverente quanto as anteriores e com uma condução ainda mais profunda em seus personagens.
No fim da segunda temporada vemos Ian (Rob McElhenney) e Poppy (Charlotte Nicdao) indo em busca de novos desafios na construção de um novo jogo, junto deles vai Dana (Imani Hakim). Brad (Danny Pudi) vai preso, e Rachel (Ashly Burch) vai para a faculdade. Parecia que o caminho de quase todos os personagens principais estavam caminhando para longe de Mythic Quest, mas obviamente isso não podia acontecer.
Uma coisa bastante comum em séries de comédia é os personagens não evoluírem tanto ao decorrer das temporadas para a comicidade permanecer presente, algo que funciona bem em sitcoms, mas podem ser uma casca de banana em séries que propõe lidar também com o drama, as dramédias.

Ian, na figura de protagonista, principalmente na primeira temporada, segue um caminho evolutivo ao longo da série, de deixar de ser uma pessoa extremamente egocêntrica e começar a olhar um pouco para os lados para não terminar sozinho. Ao seu lado tem Poppy, uma programadora extremamente problemática que tem uma relação de dependência com o Ian. Essa terceira temporada aborda justamente isto ao redor dos dois, Poppy tenta conquistar a sua independência diante de Ian, enquanto isso ele percebe que não consegue seguir criando algo que não seja dele, continuamos vendo nessa temporada uma relação cheia de intrigas entre os dois, mas desta vez de um modo mais profundo.
Acompanhando os dois nessa trilha, temos Dana, que começa a série como uma testadora de jogos e escalona para um dos principais papéis da série. Se Ian e Poppy não conseguem seguir separados por suas deficiências, Dana percebe que tem o que falta nos dois, se tornando uma potencial criadora de jogos completa, porém ela também trilha um caminho tão egocêntrico quanto o seu mentor, o Ian.

Brad foi preso ao fim da segunda temporada e solto nesse intervalo de tempo, através de uma piada bem interessante (que acaba se tornando o plano de fundo da personagem Carol, interpretada por Naomi Ekperigin nessa temporada), ele acaba voltando para Mythic Quest, e é um personagem que nunca flertou com a evolução e continua sendo um megalomaníaco em busca de poder. Além de voltar para Mythic Quest, também é reaproximado de Jo (Jessie Ennis), que tem uma condução interessante durante a temporada, mas é jogada no mesmo lugar onde passou a temporada anterior.

Ao lado de Dana, Rachel é a personagem que mais muda ao longo da temporada e que termina em um lugar bem distante de onde começou. Durante essas três temporadas ela foi uma personagem confusa que não sabia qual caminho seguir, mas o roteiro deixou bem encaminhado a sua evolução para a temporada seguinte (que já está confirmada) e pode dar uma nova cara em alguns aspectos do show. E para finalizar temos David (David Hornsby) que caiu na chefia do Mythic Quest e saiu de um personagem totalmente passivo para um personagem potente e digno de chefia, porém termina no mesmo lugar de onde começou.
Apesar do destino preparar caminhos dispersos para os personagens, o roteiro trata de trazê-los de volta para o estúdio do Mythic Quest. Entre evoluções (e até desevoluções) a série dá voltas, engana e surpreende o espectador, mas termina em um lugar confortável e conhecido, deixando um gostinho amargo para quem acompanha a trajetória dos personagens.
NOTA: 3,5/5





