Crítica | Overman desperdiça potencial em sátira de super-heróis

Está chegando aos cinemas brasileiros a primeira adaptação em live-action de Overman, super-herói (ou quase isso) criado por Laerte Coutinho. No longa, o personagem está desempregado e em crise existencial. Por isso, aceita trabalhar na Secretaria de Segurança Pública para recuperar seu prestígio. Entretanto, antes de salvar a cidade, precisa descobrir que tipo de herói está disposto a ser.

Apesar de participar da divulgação, Laerte não teve envolvimento no roteiro ou na produção do filme. A obra é dirigida por Tomas Portella (Impuros), que também assina o roteiro em parceria com Arnaldo Branco e Leandro Soares.

Overman conta com um elenco conhecido, incluindo Caco Ciocler, que interpreta o protagonista, e Otávio Muller, Karina Ramil, entre outros. O elenco faz um bom trabalho com o material que recebe. O problema é que esse material oferece muito pouco.

Overman não encontra sua identidade entre o drama e a comédia

O filme tenta explorar a infantilidade, a insegurança e as crises existenciais do personagem dos quadrinhos. No entanto, ao chegar às telas, Overman se torna apenas mais um protagonista apático, com quem o público não consegue se conectar, seja pela pena, seja pela raiva diante de sua estupidez.

Além disso, a obra parece indecisa sobre qual caminho seguir: aprofundar a psique do personagem e transformá-lo em um drama ou abraçar a galhofa e apostar em uma comédia de super-heróis nonsense. Assim, Overman fica perdido no meio do caminho, sem construir uma identidade própria.

Filme desperdiça o potencial brasileiro da sátira de super-heróis

Apesar de o personagem existir há cerca de três décadas, o filme Overman chega aos cinemas após uma onda de adaptações e sátiras de super-heróis, como The Boys, Deadpool e Invencível. Nesse cenário, a produção poderia aproveitar seu principal diferencial: ser uma obra brasileira.

Entretanto, nem mesmo essa característica é explorada com profundidade por Portella. Poucos elementos da cultura brasileira ganham destaque ao longo da trama. Além disso, a escolha de ambientar a história em uma cidade fictícia sem nome não contribui para a identificação do público com aquele universo.

Crítica social fica na superficialidade

O longa também ensaia uma crítica social. Afinal, o principal vilão de Overman se chama Capitalista Imundo. Ainda assim, a abordagem não vai muito além da superfície, concentrando-se na pergunta: o que significa ser um super-herói?

Overman é, sem dúvida, uma obra com bastante potencial, mas acaba desperdiçando essa oportunidade. Ao simplificar as características do personagem, o filme transforma sua sátira em algo raso e genérico. Infelizmente, a produção corre o risco de passar despercebida em um subgênero já bastante explorado pela indústria cinematográfica.

O filme estreia nos cinemas nesta quinta-feira, 22 de outubro.

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