Estreia hoje (1) o novo filme estrelado por Tom Cruise: Digger. A obra de Alejandro Iñárritu (O Regresso) acompanha o homem mais poderoso do mundo que, após causar uma catástrofe global, inicia uma missão frenética para se redimir e provar que é o salvador da humanidade. Em uma corrida contra o tempo, ele precisa enfrentar as consequências de seus atos antes que o desastre destrua tudo.
É difícil falar de Digger sem entrar na zona dos spoilers, então seguiremos pelos caminhos que a própria sinopse nos leva.
Sátira, Tom Cruise e as limitações do roteiro
Digger se utiliza da sátira para tratar do capitalismo, da ganância humana e da nossa hipocrisia enquanto caminhamos (por enquanto lentamente) para o fim do mundo. Toda essa comicidade encharcada de exageros é guiada por Tom Cruise, que sai do seu papel confortável de galã (como em Missão Impossível e Top Gun) e entra em um personagem velho, excêntrico, e acima de tudo, repulsivo.
Porém a atuação do astro esbarra nas limitações do roteiro. Iñárritu deixa bem claro para o público sobre o que quer tratar na obra, porém ele trava em questões e parece não conseguir desenvolver seus pensamentos, deixando as suas críticas em um lugar raso, sem muito aprofundamento. O roteiro traz alguns desdobramentos para a trama que mais parece ter o objetivo de impactar o público do que desenvolver os personagens em si.

Um elenco estrelado em uma história dominada pelos homens
Além de Tom Cruise, o casting também traz um elenco estrelado. Os personagens de Sandra Hüller e Jesse Plemons têm suas funções, mas não se destacam tanto. O trabalho dos atores é excelente, mas ficam mais no campo dos personagens secundários e chamam mais atenção pelos seus nomes.
Inclusive, a quase figuração de Hüller e de Emma D’Arcy destacam o quanto o filme é masculino. Mesmo que em uma ou duas piadas o filme tensione o excesso de presença masculina, ele mesmo não reflete sobre isso, deixando a crítica apenas pela crítica.
Do outro lado, olhando para o elenco masculino, ao lado de Cruise, John Goodman e Riz Ahmed apresentam, mais uma vez, excelentes trabalhos. Eles conseguem transparecer a excentricidade dos seus personagens que parece que nasceram para serem paspalhões que ninguém consegue levar a sério.

Entre a excentricidade e a indecisão
Iñárritu, que anos atrás levou DiCaprio para seu primeiro Oscar, parece que não vai conseguir o mesmo feito com Cruise. Apesar da obra ter um semblante Oscar baiting para o seu protagonista, ela fica travada em um lugar entre a excentricidade e o realismo, sem saber para onde seguir. E sem desmerecer a jornada do diretor, nessa obra ele nos transparece um lugar de indecisão sobre o filme que queria fazer.
Digger é uma das obras mais esperadas do ano, e provavelmente uma das maiores apostas diante das expectativas. Mas expectativas podem estragar a experiência. A obra está longe de ser um filme ruim, mas quem for esperando uma obra prima, tem uma boa possibilidade de se decepcionar. A intenção de Alejandro Iñárritu é interessante e ele consegue passar sua mensagem, mas a pergunta é se no meio da confusão e da dualidade que ele mesmo constrói, o diretor consegue conscientizar o público como planejou.
NOTA: 3,5/5









