Lançado originalmente em novembro de 2023 na Itália, Pallazzina LAF (ou Prédio LAF em tradução livre) é um drama que aborda a condição de trabalho de operários italianos durante a segunda metade do século 20. Dirigido e atuado por Michele Riondino, o longa tem 1h39min de duração e está sendo apresentado no Festival de Cinema Italiano.
A história de Pallazzina LAF segue o operário Caterino Lamanna (Michele Riondino), um homem bruto que trabalha em uma empresa corrupta, a siderúrgica ILVA. Recentemente privatizada e com condições de trabalho cada vez mais precária, a empresa lida com problemas sindicais após a morte de um funcionário. Nesse cenário, Lamanna é contratado pelo chefe, Giancarlo Basile (Elio Germano), como um espião no Prédio LAF.
O Prédio LAF funcina como uma “prisão trabalhista”. Funcionários com qualificações mais altas são alocados nesse local para ficarem ociosos e forçá-los a aceitar funções incompatíveis com seu trabalho. Por esse motivo, o LAF se tornou um ambiente de revolta dentro da empresa, colocando em risco a continuidade da exploração dos operários.

O ponto alto do filme são suas atuações, principalmente de Riondino. Caterino é um homem extremamente expressivo, e muitas vezes cenas sérias se tornam engraçadas pela presença do italiano com seus dedos juntos apontando pra cima. Outros atores entregam um bom trabalho, como Germano interpretando o chefe e Michele Sinisi como Aldo, um colega de Lammano.
O roteiro do filme é simples, e com uma história dessas poderia entregar um pouco mais. Não é possível entender muito bem todas as nuances por trás do sofrimento dos trabalhadores, e isso é muito motivado pelo próprio protagonista.
Caterino Lammano é um homem rústico, bruto e simples. Ele não deseja muita coisa e nem pretende mudar muito nos seus modos para conviver com seus colegas e chefes. Além de tudo, Caterino é um pelego, e passa o filme inteiro atrapalhando as lutas sindicais dos outros trabalhadores. O papel dele como espião poderia ter sido usado para nos imergir dentro do LAF, mas serve para alienar a nossa visão de quem também trabalha lá.
Pode ser uma questão minha de compreensão do filme, mas não consegui entender exatamente todo o sofrimento que os trabalhadores do prédio LAF viviam. Tempo ocioso no serviço pode ser chato, mas no filme o lugar é retratado quase como um manicômio. Alguns dos personagens parecem ter saído diretamente de algum filme do David Lynch de tão bizarros que os comportamentos são. Talvez se Lammano fosse um trabalhador mais amigável eu teria entendido melhor o que causava a loucura nos colegas, mas nem ele nem o filme fazem esse esforço.

A direção de Riondino é boa, ele sabe o que está fazendo nas cenas e é fácil se conectar com o protagonista (que ele mesmo interpreta). Acredito que o filme se perde um pouco quando tenta construir o personagem de Lammano para fora do trabalho, mas existe a possibilidade dessa falta de foco na vida pessoal tenha sido uma escolha criativa.
A fotografia do filme é bonita, mas nada demais. Não é como se o filme precisasse da fotografia tão bem pensada e executada, mas ela não deixa de entregar cenas bonitas. A trilha sonora reflete muito o ambiente e o tempo que o filme vive, então ela consegue trabalhar muito bem a ideia dessa Itália que vemos de forma caricaturada em outras peças de mídia.
No geral, o filme é interessante e vale sim a pena ser assistido. Não é filme inacreditável cinco estrelas, mas não é tempo perdido. O filme estará em exibição durante o Festival de Cinema Italiano, que ocorre entre os dias 7 de novembro e 8 de dezembro de 2024. Você pode acessar as informações sobre datas e horários das sessões no portal do Festival.
Nota: 3.5/5