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CRÍTICA | “A Grande Fuga” dolorosamente emocionante e inesquecível

Saindo da sua aposentadoria aos 89 anos, Michael Caine retorna aos cinemas em “A Grande Fuga“, novo longa do cineasta britânico Oliver Parker, que chega aos cinemas neste dia 27 de junho no Brasil. Protagonizando uma história que Caine descreve como “o filme mais feliz da minha carreira”, a sua parceria com Glenda Jackson rende aos espectadores uma história que arrancará impiedosamente muitas lágrimas.

A trama se passa durante o verão de 2014 e acompanha a história real de Bernard Jordan (Caine), um veterano da Segunda Guerra Mundial que decide escapar da casa de repouso em que vive e viajar até a França – tudo isso para participar da celebração do 70º aniversário do Dia D nas terras da Normandia.

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Com 1 hora e 37 minutos de duração, o roteiro de William Ivory opta por trazer em “A Grande Fuga” uma história de memórias e realização de sonhos sob a ótica de um casal de idosos em uma casa de repouso. Tendo como epicentro narrativo a 2ª Guerra Mundial, a perspectiva construída por Ivory traz uma história intimista e emotiva, que utiliza a guerra como estopim para uma jornada de reconciliação com o passado.

Mostrando alguns conflitos geracionais, o longa não traz somente as dores e os empecilhos que a maturidade avançada implica, mas consegue evidenciar em tela as maneiras com que a jovialidade se mantém viva através das memórias e anseios de uma vida bem vivida ao lado de quem se ama.

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Como, na trama, os personagens estão enfrentando algum tipo de doença que os fazem enfrentar o iminente fim de sua vida, o filme acaba se tornando uma colcha de retalhos de memórias traumáticas e também prazerosas. O ato mais bonito que “A Grande Fuga” consegue extrair é a pluralidade de sensações que não vão embora com a idade, com um declaração de que eles estão ali, eles existem, eles não morreram e merecem ainda viver de acordo com seus sonhos e anseios. Sem, é claro, deixar de lado a crítica a respeito da invisibilidade que a terceira idade carrega em um estigma criado pela sociedade, que os repele e rejeita ver como a vida segue na velhice.

A Grande Fuga” brilha, principalmente, pela atuação de Michael Caine e Glenda Jackson, que se entregam no drama e na comédia de maneira igualitária, provocando risos espontâneos em interações cotidianas, principalmente pela personalidade inacreditável da personagem de Jackson, e incontáveis lágrimas com monólogos intensos e dores palpáveis apresentadas por Caine. E como se você não tivesse já chorado o suficiente, ao fim, quando sobem as letras que associam os personagens a realidade, é quase como se você notasse pela primeira vez que estava segurando a respiração nos minutos finais do filme.

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