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CRÍTICA | “Upgraded: As Cores do Amor” não consegue ser minimamente bom em nada que se propõe a fazer

Será que precisamos de um remake de Diabo Veste Prada? A Amazon Prime achou que sim! No última dia 9 de fevereiro chegou ao catálogo do seu streamingUpgraded: As Cores do Amor“, uma nova comédia romântica estrelada por Camila Mendes que carece de todo sentimento base para uma filme do gênero minimamente agradável.

Com a direção de Carlson Young e roteiro de Christine Lenig e Justin Matthews, o filme acompanha Ana (Mendes) uma estagiária de arte que é convidada para uma viagem de trabalho de última hora a Londres por sua chefe, até que acaba conhecendo o belo e rico William (Archie Renaux) no avião. Ambientado entre Londres e Nova York, a comédia romântica mostra os desafios encontrados por Ana enquanto tenta equilibrar o trabalho, um novo romance e seguir seus sonhos. *

Upgraded | movies | 2024 : r/Review_4u

Com 1 hora e 44 minutos de duração, o filme parece ser mais longo do que está descrito, isso porque não há vontade alguma dos personagens em suas trajetórias individuais e interpessoais, logo, tudo é arrastado ao máximo. Nada surpreende durante o desenvolvimento da trama, as motivações são expostas de modo tão blasé quanto a atuação do elenco principal, que escolhe dois extremos: caricato demais, quase uma paródia de outros personagens já conhecidos, ou monótono demais.

É inconcebível para esta que vos escreve um filme sobre artes que não utiliza delas como seu maior aliado. É evidente que o filme quer fazer uma versão belas artes de Diabo Veste Prada, com uma chefe excêntrica e babaca (porém incompreendida), assistentes esnobes e a corrida competitiva do mundinho das artes. Contudo, diferente deste clássico dos anos 2000, Upgraded é indiferente quanto as obras de arte, não aproveita a cidade de Londres para criar uma imersão artística dos personagens, nem convence de que este detalhe seja realmente significativo na produção. Ou eles achavam que explicações e falas entusiasmadas foram o suficiente para mostrar que a arte era importante para a protagonista?

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A direção e o roteiro disputam para saber quem faz o pior trabalho em Upgraded. Se de um lado demonstra despreparo com o elenco e a escolha duvidosa nas filmagens em locações internas e externas, o outro não sabe construir personagens de modo original e replica o que já vimos no cinema, só que ruim. Isso porque ainda nem falei da direção de fotografia, que escolheu um filtro azulado cinzento que me fez achar que meus óculos estavam sujos a todo momento.

Ainda assim, isso não é tão frustrante quanto o casal principal. Afinal, é o básico! Para um comédia romântica minimamente boa é preciso de um casal que funcione, e isso não acontece aqui. Archie Renaux até tenta dar o seu melhor, com charme de um milionário tímido mas que sabe flertar, porém é prejudicado pelo roteiro, que deixa ele à esmo da história da protagonista e não fornece um desfecho descente a ele. Nem vou me estender a falar a respeito de Camila Mendes, já que este filme me deu a certeza que ela interpreta sempre a mesma personagem não importa qual produção você veja com a atriz.

Upgraded (2024) - IMDb

Upgraded: As Cores do Amor” é um filme completamente dispensável para quem gosta de comédias românticas, porque ele nem consegue entregar o básico, mas insiste em colocar firulas para criar uma identidade original inexistente. É como comer um sonho de padaria seco que tem o recheio somente na parte de cima do pão, ele te ilude à primeira vista, e logo na primeira mordida mostra para o que veio: pura decepção.

Imagina um filme de artes, sem arte. Um romance sem um casal que sinta desejo um pelo outro. Um filme em Londres, sem exibir a cidade. Esse é “Upgraded: As Cores do Amor“, um filme sem sal, sem graça e sem vontade alguma de ser minimamente agradável.

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