Após diversos sucessos literários entre o público mais jovem é certo dizer que Ali Hazelwood se tornou nos últimos anos uma das autoras mais queridas do universo literário. Conhecida pelos seus romances clichês, focados em protagonistas fortes e do meio acadêmico, a autora tentou se reinventar em seu mais recente lançamento “Xeque-Mate“, lançado no Brasil pela Editora Arqueiro em novembro de 2023.
Com 336 páginas, Hazelwood nos apresenta Mallory Greenleaf (sua primeira protagonista não-cientista-acadêmica, mas super mega inteligente) uma jovem prodígio do Xadrez que abandona o esporte intelectual devido a um passado doloroso. Tudo muda quando sua melhor amiga a obriga a participar de um torneio beneficente e, sem querer, derrota o atual campeão mundial, Nolan Sawyer. Contudo, em vez de gerar a rivalidade esperava, seu rival mal pode esperar para enfrentá-la de novo, mas Mallory não está interessada nisso e foge a todo custo de enfrentar o seu passado no Xadrez.
Após ler essa breve sinopse você deve se perguntar: a Ali Hazelwood consegue transformar xadrez em algo sedutor para o leitor? Bem, ela consegue. “Xeque-Mate” é um livro que utiliza muitas páginas para descrever jogadas (e devemos elevar nosso nível de descrença nesse aspecto, caso você entenda um pouco do jogo), mas seu foco é no desenvolvimento pessoal da protagonista.

Ao contrário dos seus livros anteriores, Ali não foca muito em romance por aqui. É claro que acompanhamos os rivais se aproximando, nutrindo sentimentos conflituosos entre si e passando por momentos íntimos de tirar o fôlego. Contudo, não é o foco principal da autora. Hazelwood busca focar no progresso e na evolução emocional de Mallory, como superar traumas de um passado doloroso e um presente cheio de culpa. Isso pode fazer com que alguns fãs da autora se decepcionem com a falta de previsibilidade que acontecia em seus livros anteriores, mas não se preocupe todos os outros clichês que a autora aborda em suas obras aparecem aqui.
Logo, espere em “Xeque-Mate” enemies to lovers, mulheres decididas, críticas ao machismo no ambiente protagonizado por homens e também ao sistema de saúde estadunidense. Ah, e é claro, também descrições de homens grandes, largos, musculosos e bem altos… do jeitinho que Ali Hazelwood ama fazer.
Apesar de ter gostado muito desse livro, e de como ele me pegou desprevenida com um esporte que jamais pensei ler sobre em um romance juvenil, “Xeque-Mate” me deixou com um gostinho de que poderia ter sido maior e melhor. Hazelwood perde muito tempo com dramas repetitivos, se enrola na introspectividade da protagonista e perde oportunidades que o casal poderia dar de presente aos leitores. Então, sim, o romance é um pouco escasso neste livro, e se você procura isso, talvez se frustre ao fim.
Nota: 3,8/5