Uma jornada de amadurecimento dentro de um contexto medieval bem humorado com capacidade de fazer você se emocionar! Esse é “Catarina, a Menina Chamada Passarinha“, lançado em 2022 no Prime Video. Estrelado pela nova queridinha de Hollywood, Bella Ramsey, a história escrita e dirigida por Lena Dunham é uma aventura emocionante, revigorante e divertidíssima de ser assistida.
Ambientado em 1290, Stonebridge, vila medieval inglesa. Na trama conhecemos Lady Catherine – que prefere ser chamada de Passarinha. Filha mais nova de uma família financeiramente destituída, seu pai a vê como seu caminho para sair da ruína financeira ao casá-la com um homem rico por dinheiro e terras. Mas a menina, como uma boa adolescente que ainda está se descobrindo, é espirituosa, inteligente, aventureira e pronta para despistar qualquer pretendente que apareça de maneiras cada vez mais engenhosas.

Com 1 hora e 48 minutos de duração, o filme cativa e conquista a audiência ao criar uma personalidade tão amável e muito fácil de adotar carinhosamente. A protagonista “Passarinha” é curiosa, destemida e completamente confiante em tudo que se propõe a fazer. Muito a frente de seu tempo, a personagem é virtuosa e um frescor para uma história que tinha de tudo para ser trágica – mas, na verdade não é tanto assim…
“Catarina, a Menina Chamada Passarinha” apesar de usar muito do humor juvenil aborda em sua narrativa críticas e gera debates assertivos sobre o papel da mulher em diversas esferas. Vemos distintas representações do que a sociedade requer delas, como uma genitora, uma fortaleza, alguém capaz de prover ou alguém que é só vista como uma moeda de troca – ao tempo em que isso é imposto a elas, e nunca uma escolha. Apesar de ser ambientado em uma era medieval, Lena Dunham utiliza do cenário para conversar com a sociedade atual.

Apesar do texto incrível de Dunham, uma coisa é certa: sem o carisma de Ramsey esse filme passaria despercebido. Bella é extremamente essencial neste longa. Sua atuação é impecável em todos momentos da trama, em momentos que é exigido de si a sua parte mais sapeca-moleca, ela é o ser mais amável e com o melhor humor possível, e quando o drama se intensifica é impossível não se emocionar.
Ao lado dela, há Andrew Scott e Billie Piper, que interpretam seus pais no longa-metragem. O mais interessante em seus papéis, além de suas performances exímias, é como eles são levemente alterados conforme nossa protagonista enfrenta o crescimento e o amadurecimento. Como vemos tudo sob sua perspectiva, a visão acerca de seus pais é bem imatura e limitada, à princípio. No entanto, mais próximo do fim é realmente lindo observar como ela os vê como seres humanos admiráveis e dignos de sua compaixão. A transição feita no roteiro é tão sutil que você só percebe quando há lágrimas em seus olhos.

“Catarina, a Menina Chamada Passarinha” é um filme que me surpreendeu além do esperado. Antes de assistir, confesso que, previa diversão despretensiosa e até uma galhofa meio boba, mas corri o risco pela minha admiração por Bella. Todavia, antes mesmo da metade da duração do longa ele já havia me conquistado de uma forma inexplicável. É sutil e avassaladora os apontamentos que Dunham faz em diversos momentos decisivos, seja em forma de metáforas ou em seus textos sub entendidos. Com certeza, esse aqui garante minha recomendação a todos que gostam de um bom female gaze.
Nota: 4,2/5





