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CRÍTICA | “Daisy Jones and The Six” conta uma história intensa com uma trilha sonora fenomenal

Esse texto não contém spoilers

Com uma ótima trilha sonora, um elenco excelente e uma história envolvente, “Daisy Jones and The Six” chegou para ensinar aos fãs do livro que é possível fazer uma adaptação literária sublime sem copiar e colar o que foi dito no livro de origem.

Adaptado do livro de mesmo nome escrito por Taylor Jenkins Reid, a série conta a história da banda de rock fictítica dos anos 70, desde sua ascensão meteórica na cena musical de Los Angeles até sua separação inesperada no auge de sua popularidade. Estrelada por Riley Keough, Sam Claflin, Camilla Morrone, Suki Waterhouse, Will Harrison, Sebastian Chacon e Josh Whitehouse, a trama escolha abordar o drama que os fez ir do sucesso às ruínas em 10 episódios.

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Vale deixar claro, logo de início que, “Daisy Jones and The Six” fez um ótimo trabalho ao preencher lacunas de um livro que contava com memórias e opiniões envesadas de uma ex-banda repleta de problemas com ego, vícios e dramas do coração. Com a credibilidade colocada em dúvida a respeito de seus depoimentos, a série vem para apresentar o que realmente aconteceu com a banda e não suas opiniões e achismos. 

Os três primeiros episódios, lançados juntos pela Prime Video no início deste mês, introduzem ao espectador (leitor ou não) a história de maneira tão eficiente que por alguns instantes esquecemos que aquela Daisy Jones and The Six não existiram na vida real. Riley Keough Sam Claflin surpreendem o público não só pela sua química instantânea, que transita entre ódio e desejo, mas também com sua potência vocal. 

E, falando em vocal, é impossível não enaltecer a trilha sonora desta série. Apesar das letras não serem as citadas no livro, a produção surpreende com uma composição melhor e mais condizente com o processo de criação que vemos entre os protagonistas – além do seu desabrochar emocional. A dinâmica musical entre Keough e Claflin parece ter sido criado pelos deuses, como se essa não fosse a primeira vez em que os dois compartilhavam um palco. Este é um dos casos claros em que a série se sobrepõe o livro. 

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Outro ponto extremamente positivo da série é como ela desenvolve o relacionamento entre os personagens. Tudo começa com a introdução de Camila dentro do funcionamento já pré-estabelecido da banda, a tornando um membro vital para o funcionamento e equilíbrio do grupo. A partir disso, conhecemos mais a fundo sobre como são os membros e suas colaborações dentro da equipe – para o bem e para o mal. A trama consegue abordar cada integrante de uma forma bastante coesa com suas personalidades, os transformando em vilões e mocinhos (apesar de todos habitarem a zona cinzenta da moralidade) dentro das situações em que são inseridos.

E, por falar em papéis vilanescos, é sabido que “Daisy Jones and The Six” não constrói (nem no livro, nem na série) personagens fáceis de serem gostados. Todos carregam consigo uma complexidade tão aguçada que eles eventualmente se tornam os antagonistas de sua própria narrativa. Todavia, há de frisar que a série amenizou muito o impacto negativo das personalidades dos personagens, os transformando em pessoas mais humanizadas e mais fáceis de serem entendidas pelo espectador. Daí, vai de você achar que isso foi um defeito ou uma qualidade da obra….

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O último episódio fecha com chave de ouro toda a história intensa e dramática apresentada em “Daisy Jones and The Six“. Contando com uma montagem diferente dos 9 episódios anteriores, o final conta a história de forma retroativa, mostrando mais vulnerabilidade e emoção entre os personagens. Os depoimentos do “futuro” agraciam os espectadores com o vislumbre da história de cada membro da banda após seu fim, dando pitadas de felicidades, dor e um senso de justiça em certos casos. 

Daisy Jones and The Six” teve um livro interessante e uma série que soube se equiparar ao material original de forma criativa e original. Entre mudanças e fidelidade, a produção conseguiu se tornar uma obra coesa e coerente, do início ao fim. Emocionante, cativante, com ótimas atuações, excelentes músicas e um figurino impecável, a série já pode ser considerada como uma das maiores surpresas positivas do ano.

Nota: 5/5

Em breve teremos um episódio sobre a série em nosso podcast, Zona de Spoiler.

Enquanto isso, ouça a trilha sonora da série.

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