Um dos grandes sucessos da internet, lançado em 2022 pela Editora Arqueiro, “A Hipótese do Amor” conquistou uma grande comunidade de leitores ao trazer uma comédia romântica com fake dating¹, que explora os clichês do gênero ao tempo que faz uma crítica hilária a eles.
Escrito pela Ali Hazelwood, o livro traz a história de Olive Smith, uma aluna do doutorado em Biologia da Universidade Stanford, e Adam Carlsen, um jovem professor de prestígio – muito temido em seu campus por ser tão rigoroso. A história dos dois se cruza (além do prólogo) quando Olive se encontra numa encruzilhada: após ir a alguns encontros com Jeremy ela vê que sua melhor amiga e o seu “ficante” tem mais em comum que ela, logo, ela decide beijar o professor apenas para convencer sua amiga de que estavam saindo com alguém e que já tinha superado esse quase-ex, deixando o caminho livre para os dois.
O que começou com um plano inocente, que duraria apenas um beijo, se torna um namoro falso – benéfico para os dois – de alguns meses. E dentro desses meses vemos Olive e Adam se conhecendo em encontros fabricados, afim de convencer a todos de que a relação mais improvável do campus está acontecendo.

Primeiro há de ressaltar a construção excelente dos personagens. Hazelwood cria uma dupla que à principio pode flertar com “os opostos se atraem”, mas conforme a história evolui – aprofundando suas histórias – eles se encontram em um ponto em comum, gerando um vínculo e uma comunicação maior entre eles.
A escrita de Ali é envolvente e viciante! Com uma leitura fácil e fluída, a autora faz com que seja impossível você parar de ler. Inserindo um tom de humor bastante carismático e sútil, a história se avança de um jeito tão natural que a transição de fake dating para real dating é muito orgânica.
As 453 páginas são recheadas do melhor que a comédia romântica pode oferecer. Leve, engraçado e um tanto quanto sexy, “A Hipótese do Amor” cria momentos de tensão na medida certa, quase como se criasse um slow burn² entre os protagonistas, deixando o leitor totalmente anestesiado e sedento por mais (e quando finalmente acontece… MEU DEUS DO CÉU).

Todavia, não é só de romance que o livro se apropria. Hazelwood aproveita do cenário onde a história é ambientada para provocar no leitor a discussão acerca de temas propícios, como assédio e a falta de mulheres em destaque na ciência. Com uma abordagem inteligente, sem deixar o leitor cansado ao lidar com assuntos mais pesados, a autora insere esses tópicos de forma com que a trama principal do romance caminhe lado a lado.
“A Hipótese do Amor” definitivamente merece sua popularidade. É uma leitura divertida, com personagens carismáticos e ótimas cenas sensuais. Cheio de clichês do gênero, o livro se torna uma opção segura para quem aposta em comédias românticas, não ousa e nem surpreende, mas garante um ótimo entretenimento.
fake dating¹ : namoro falso, clichê de comédia romântica em que os personagens fingem estar em um relacionamento.
slow burn²: ferramenta da narrativa em que o casal se desenvolve aos poucos, provocando o leitor com cenas de tensão e sedução, até que o momento em que realmente acontece é totalmente recomenpensador
Nota: 4/5





