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CRÍTICA | Em “Tudo é Possível”, o amor é só amor

Filme de estreia de Billy Porter como diretor, Anything’s Possible (Tudo é Possível) é um romance fofo sobe o último ano do ensino médio de Kelsa (Eva Reign), que é uma garota trans. Ela tem uma vida boa e segura, é cheia de amigos, mas ela mal pode esperar é por finalmente sair da cidade que vive e ir para a universidade, onde ela não seria mais a garota transgênero da escola, seria apenas uma garota normal que ama animais e quer muito ser bióloga.

Kelsa tem uma mãe que a ama e a apoia sempre, amigas que são incríveis (até rolar uma treta), mas ela sente que sua vida deveria ser mais o que ser só uma questão de gênero o tempo todo, mesmo que na vida dela, provavelmente, tudo vai ser questão de gênero pelo resto da sua vida. E isso a irrita e muito e faz com que ela às vezes não veja que as pessoas a enxergam por quem ela é, além de qualquer coisa. Ela é uma garota incrível, cujo cérebro funciona de forma incrível, como o seu interesse amoroso, Khal (Abubkar Ali), costuma dizer.

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Mesmo que a jornada dela não tenha sido fácil e ela lutando para ser só uma garota normal, a partir do momento que ela começa a sair com Khal, que é um homem cis e hétero, tudo começa a virar de cabeça pra baixo na escola. Afinal, namorar uma menina trans é visto como absurdo por pessoas preconceituosas, ou parte de um fetiche bizarro. Mas não é assim com eles. Desde o começo, Kahl a respeita e vê a Kelsa com ela é: uma garota incrível. Ele se apaixona por ela assim.

Só que todo esse preconceito acaba causando mais transtorno para a Kelsa, que passa a receber tratamento diferenciado e sofre transfobia na escola, tendo inclusive mãe de aluna que se diz feminista a atacando chamando-a de perigo para a filha dela (que foi uma escrota, diga-se de passagem). Inclusive, essa é das mensagens do filme: se o seu feminismo não é trans-inclusivo, ele não serve. Um tapa na cara da autora o livro do menino bruxo, que usa a renda que arrecada para financiar movimentos extremistas que perseguem pessoas trans. Cada vez que você consome, você contribui com isso também.

Quem é Eva Reign, a Kelsa do filme "Anything's Possible"? - POPline

Mas no final, tudo se resolve e as coisas se acertam, como deveria ser. Afinal, é um filme de romance inclusivo de verdade para adolescentes, sem aquele tropo horrível onde os personagens não-hétero geralmente morrem ou sofrem consequências terríveis e jamais têm um final feliz. O final aqui é feliz. Não é o esperado, não é mil estrelinhas e cheio de arco-íris e corações, mas é maduro e racional, exatamente como a Kelsa enxerga a vida dela.

Tudo é Possível é um romance fofo totalmente crível, com seus momentos de trama na medida certa, trata de assuntos sérios com a seriedade que deveria tratar e tem diálogos sensacionais. É impossível você não se encantar pela Kelsa ou pelo Kahl, que é um dos adolescentes mais maduros que eu já vi em filmes e muito fofo também, exatamente o tipo de namorado que eu gostaria de ter tido com essa idade.

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Billy Porter conseguiu tornar o filme representativo sem puxar estereótipos chatos, cheio de figurinos incríveis (não seria o Billy Porter se não tivesse moda envolvida). É colorido, é vivo, é divertido. Tudo na medida certa. As atuações não são as melhores do mundo, mas tem muito filme maior aí recebendo chuvas de críticas positivas e não são nem um terço tão divertidos e gostosos de ver quanto esse.

Tudo é Possível é um filme necessário sobre um romance saudável, divertido e gostoso, onde os envolvidos se entendem e se respeitam, onde amor é só amor. E é só o que importa.

O filme está disponível no Prime Video.

NOTA: 3,9/5

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