Ted Lasso chegou sem fazer muito alarde, até finalmente chamar a atenção durante a temporada de premiações quando recebeu 20 indicações ao Emmy 2021. A série do Apple TV que fala sobre o dia a dia de um clube de futebol fictício a beira do rebaixamento, não parece interessante em um primeiro momento para quem não é fã do esporte, o problema é que após dar o primeiro play fica impossível parar.
Se na primeira temporada tivemos que lidar com todos os acontecimentos como novidade, o rebaixamento quase certo e a inexperiência gritante de um técnico proporcionando bons momentos de comédia, a segunda optou por entrar mais a fundo no impacto que o esporte tem fora de campo. Uma vez que a série deu inicio a essa humanização do esporte na primeira temporada, aqui ela conclui isso indo mais além. Mais precisamente indo dentro da mente da equipe e dos impactos que as derrotas tem sobre cada um.

Devagar a série vai construindo um dos assuntos mais importantes da atualidade, a saúde mental nos esportes. Começa com a entrada da Dra. Sharon (Sarah Niles) a nova psicóloga do clube que vai tratando individualmente os medos e ansiedades dos jogadores, até isso culminar em uma grande explicação do jeito lasso de ser, garantindo a Jason Sudeikis a oportunidade de explorar as camadas mais profundas de um personagem que já era bem humano.
Com episódios mais longos e uma temporada maior, a série aproveita o tempo extra para focar no desenvolvimento de personagens secundários e na criação de um antagonista vilanesco que promete ser um verdadeiro caos no terceiro ano da série. A construção lenta e bem desenvolvida já dava pistas do que Nathan (Nick Mohammed)iria se tornar e toda dramédia que se preze precisa de um bom vilão a altura, coisa que Rupert (Anthony Head) nunca conseguiu ser.

A temporada também aproveita para dar ao Técnico Beard (Brendan Hunt) a oportunidade de se mostrar em um dos episódios mais controversos, ou geniais, dessa nova leva de episódios. Tópicos como o impacto de um relacionamento abusivo, a distancia de casa e seu silencio constante são abordados em um roteiro excepcional enquanto exibe as loucuras escondidas no centro de Londres.
Além de destaques extras para alguns jogadores como Sam Obisanya (Toheeb Jimoh)e a evolução de Jamie Tartt (Phil Dunster), a série consagra o crescimento de Keeley (Juno Temple) e Rebeca (Hannah Waddingham), e ainda destaca a importância de Roy Kent (Brett Goldstein) dando ainda mais destaque para um dos melhores personagens de Ted Lasso.

No geral essa foi uma temporada excelente que aproveitou seu crescimento para se estabelecer não mais como uma comédia com boas doses de drama, e sim como uma dramédia bastante atual e com muito potencial pela frente. A terceira temporada promete trazer mais sobre a saúde mental nos esportes, enquanto assistimos ao embate entre dois rivais naturais.





