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TRI CULT | “Um Clarão nas Trevas” e a aula sobre como criar tensão em um único ambiente

Adaptado da peça teatral “Wait Before Dark“, escrita por Frederick Knott, o filme “Um Clarão nas Trevas” carrega uma tensão incrível com sua ambientação em praticamente um único local. Estrelado por Audrey Hepburn, a trama gira em torno de sua personagem Susy, que acaba envolvida em uma situação perigosa, quando seu marido acidentalmente traz uma boneca que contém heroína e pertence à um grupo de criminosos.

Em um suspense no estilo de invasão de domicílio, o filme é maravilhosamente bem dirigido por Terence Young. Conhecido por seu trabalho também no início da franquia de James Bond (007 contra o Satânico Dr. No de 1963 e 007 contra a Chantagem Atômica de 1965). Sua direção é tão eficiente que nos transmite a sensação de claustrofobia, que o filme necessita para formar uma tensão apreensiva da situação.

Outro fator que eleva o filme são as atuações, no qual Audrey interpreta uma mulher cega (rendendo inclusive sua quinta indicação ao Oscar), sendo muito convincente e a ajudando no processo do drama que o longa traz. Alan Arkin (“Pequena Miss Sunshine” e “Argo“), como um dos vilões, fornece uma presença de ameaça que é extremamente poderosa, e contribui para o desenvolvimento da tensão.

E nessa trama Hitchcockiana (quando o personagem se encontra em uma situação de risco de vida), a direção é sábia ao conduzir os melhores momentos em tela no seu final, que deixam o espectador arrepiado com tamanho controle do espaço, caracterizando-o como um ambiente perigoso através do jogo de iluminação.

E através de uma abordagem mais psicológica do suspense, “Um Clarão nas Trevas” se beneficia da construção progressiva do perigo iminente. Sendo um filme que trabalha muito a questão da emoção de cada personagem, e das situações caóticas em cena, que contribuem para um espetáculo inquieto e curioso, que com certeza vale muito a pena ser visto pelo menos uma vez na vida.

Nota: 4,5/5

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