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CRÍTICA | ‘Uncle Frank’ é drama sobre família e aceitação

Indicado ao Emmy 2021 na categoria “Melhor Filme Feito Para Televisão“, ‘Uncle Frank‘ retrata muito bem as frustrações e dificuldades de ser gay em uma família tradicional, ainda mais em plena década de 70. Dirigido por Alan Ball e produzido pela Amazon Prime Video, o filme narra a jornada de Frank Bledson, vivido pelo “cirúrgico” Paul Bettany, em busca de aceitação e a sua difícil relação com a família por conta disto.

É que a história se centra em quando o seu pai falece. Frank precisa retornar ao lugar em que passou sua infância, o que o obriga a lidar com traumas do passado ao lado de seu namorado, Wally (Peter MacDissi), e sua sobrinha Beth, que é quem narra a história. A narrativa sob a perspectiva de Beth, vivida por Sophia Lillis, aliás, é bastante interessante, singular e gera momentos intensos entre os personagens. Cada gesto do pai de Frank dói profundamente e precisamos nos acostumar com a violência simbólica vivida por ele. Mais que isso, Beth e Wally também passam por suas próprias questões, que são pouco abordadas na história, mais focada no protagonista que dá nome ao longa.

Dentro deste aspecto, o melhor elemento em ‘Uncle Frank‘ é justamente os diálogos riquíssimos entre os três personagens, sempre girando em torno de questões importantes sobre suas próprias existências. Mais que reais, muitas dessas falas carregam em si beleza e força, que podem repercutir no espectador de forma positiva. Com riqueza e profundidade, os dramas que cruzam as vidas de Beth, Frank e Wally são muito bem trabalhados.

Outro ponto que o filme retrata é a forma como no mundo em que vivemos as violências sofridas em família são normalizadas e precisamos tratar abusos como algo normal. Racismo, homofobia, machismo e qualquer tipo de discriminação não devem ser tratados com naturalidade jamais. A relação entre Frank, Beth e Wally, no entanto, sintetiza exatamente tudo o que uma família deveria ser.

O longa ainda se torna meio “road movie” através de uma viagem que os protagonistas fazem carregada de momentos muito interessantes, em que somos apresentados aos dramas de Frank e Wally de forma muito cuidadosa a medida que ambos avançam na estrada. Na medida em que o tempo passa, os dois são aprofundados e contam sua vida a Beth, que por ser uma jovem “firme”, é tratada como “atrevida” e uma ponta fora da curva também, o que lhe rende junto à família certo afastamento. Há ainda em ‘Uncle Frank‘ espaço suficiente para falar sobre juventude, para pensarmos no luto e para entendermos um pouco a “cena” gay da década de 70 nos Estados Unidos da América.

No final das contas, ‘Uncle Frank‘ é um filme sobre família. E não sobre famílias tradicionais e abusivas, mas sobre outras formas de família. Formas felizes. Quem conhece o desprezo de perto, certamente ficará emotivo ao assistir este longa, ele te faz sentir o peso e a angústia que Frank sente (A cena do testamento é um baque tão forte que qualquer pessoa é capaz de se sentir mal) e o sentimento de luto desperta em nós muitas coisas, coisas às vezes adormecidas.

Família é onde a gente pertence, se sente bem. E quando a nossa família nos acolhe, é tudo para nós. Mas mais que isso: a nossa aceitação tem que vir sempre de dentro de nós mesmos. Assim como Beth, todos nós aprendemos com Tio Frank.

Nota: 4,2/5

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