Ao comprar o livro “Uma Canção para Jack”, escrito por Celia Bryce, achei que fosse apenas um romance adolescente clichê. Realmente é, visto que é possível notar como tudo vai caminhando, mas a obra vai um pouco além, apesar de alguns momentos parecerem “corridos” demais.
Uma dessas coisas é, justamente, a relação entre Megan e Jack, os protagonistas da história. Em diversos momentos eu senti que a excelente química deles poderia ser melhor explorada, mais aberta, melhor trabalhada. Porém, apesar de até ocorrer um desenvolvimento, não há essa exploração, digamos assim.
O livro conta a história de dois adolescentes com câncer que se conhecem no hospital, na ala pediátrica, enquanto fazem tratamento. Por serem os mais velhos do local, que estava cheio de crianças, há uma conexão direta entre os dois, apesar de uma resistência inicial de Meghan, que era a novata no lugar.
Jack é divertido, tem um bom-astral, conquista todas as pessoas do hospital, levanta a moral de todos. E o mesmo acontece em relação à Megan, que logo começa a se sentir melhor em relação ao tratamento.
Apesar de todos os clichês e previsibilidades, o livro conta uma história bacana e mostra um pouco de como uma doença tão séria como o câncer afeta a vida das pessoas em volta do paciente – o que era uma intenção da autora, como ela admite.
No entanto, uma das coisas que eu mais gostei no livro é a possibilidade de uma pessoa salvar a outra – no caso, sem intenção. Como uma relação pode tornar tudo mais suportável – ou menos insuportável. Como é explorado o lado do ser humano ser um ser sociável (quantos “ser” em uma frase, meu Deus), mas também forte e independente por si só. E a autora, Celia Bryce, fala sobre isso em um momento:
“Todo mundo se sente perdido de vez em quando, como um náufrago que chega a uma ilha sem nenhuma esperança de sair dela. Às vezes, esquecemos que temos pessoas que nos amam e vão tentar fazer tudo o que estiver ao seu alcance para nos ajudar. Às vezes, esquecemos que somos mais fortes do que pensamos”, escreveu.
Falando de Bryce, inclusive, um ponto alto do livro é a facilidade de escrita da autora. Escreve fácil, de forma envolvente, desenvolve sem rodeios, cativa o leitor sem o deixar entediado, o emerge na atmosfera da história, permite visualizar a ambientação de onde tudo ocorre.
“Uma Canção de Amor” é um livro gostosinho e, obviamente, com momentos tristes – como você poderá prever ao ler a sinopse, pois é clichê. No entanto, também há acontecimentos que deixam o coração quentinho – em especial, para mim, o capítulo 18, que é aconchegante ao extremo.
Não há novidades na história, você lembrará de filmes como “A Culpa é das Estrelas” e “A Cinco Passos de Você” (falo de ‘filmes’, pois ainda não li os livros), assim como, possivelmente, de outros. Mas é um bom passatempo, que consegue fazer os olhos lacrimejarem e deixar o coração quentinho.