Acho que um dos grandes erros que eu, por vezes, cometo é ver um filme antes de ler o livro. Foi isso que fiz, anos atrás, com o filme “127 Horas”, o qual agora li o livro, escrito por Aron Ralston. Digo que foi um erro porque não tive muitas surpresas. Apesar de mais detalhado, obviamente, os acontecimentos da história prosseguiram bem similares.
A leitura é cansativa. Afinal, para quem viu o filme, sabe que o protagonista passa a maior parte da história preso e tentando sobreviver em condições deploráveis da região dos cânions. Se teve gente que já reclamou disso no filme, imagine no livro.
A maior diferença entre ambos, inclusive, é o maior detalhamento da obra escrita, o que é óbvio, visto que há maior espaço para trabalhar. No entanto, isso acaba tornando o desenvolvimento da narrativa mais lento, cansativo e até repetitivo.
Uma das estratégias do autor para tentar “driblar” o possível cansaço da leitura foi trocar várias vezes o momento que a história se passa. Enquanto alguns capítulos narravam o presente, com o protagonista preso nos cânions, outros exploravam o passado de Aron. Desta forma, o autor conseguiu mostrar como a paixão do protagonista surgiu.
Ademais, também demonstra que Aron não era uma pessoa inexperiente quando o acidente na região dos cânions ocorreu, o que reforça que acidentes podem ocorrer com qualquer um, desde pessoas mais “calejadas” até quem começou a caminhada recentemente.
Além disso, o autor destaca que um dos seus principais erros para acabar naquela situação foi não ter avisado a ninguém para onde iria. Portanto, mesmo desaparecido há dias, ninguém sabia exatamente onde ele estava ou o que estava fazendo. Isso pode ser a diferença entre viver e morrer em uma situação extrema.
Sinceramente, eu acho bacana, sim, saber mais detalhes da incrível história de sobrevivência de Aron. Até porque eu, com certeza, teria morrido naquela mesma situação, até mesmo por falta de conhecimento, o que o protagonista tinha de sobra. Porém, ao ler o livro, acho que pode ter havido um exagero de detalhamento da história, o que torna o filme quase que suficiente para ter acesso a um dos períodos mais difíceis na vida do protagonista/autor.
Inclusive, seguindo falando sobre esse maior detalhamento, há dois momentos, em particular, no livro que eu gostei bastante. O primeiro foi mostrar como os amigos e familiares do protagonista estavam agindo, assim como as autoridades, enquanto Aron estava desaparecido em algum lugar dos Estados Unidos. Já o segundo momento foi a demonstração do pós-tragédia. O que estava acontecendo, como estava acontecendo, com quais pessoas estava acontecendo, entre outras coisas.
Não entendam errado, a história é excelente. A sobrevivência de Aron naquela situação é simplesmente incrível. Porém, mesmo com o “truque” de mesclar a narrativa entre passado e presente, achei a leitura do livro bastante cansativa. Tive muitas dificuldades para chegar ao fim da obra, por mais que tenha tido inúmeros casos que não apareceram no filme. Pensei em largar a obra em diferentes momentos.
Acredito que “127 Horas” será um livro mais atraente para os leitores que são apaixonados por histórias de sobrevivência, por montanhismo e suas variações. Foi um livro que eu, particularmente, achei cansativo, talvez até por conhecer o desenrolar da história. Caso eu não soubesse o que de fato ocorreria, poderia ter achado mais interessante. Eu realmente fui passar a gostar mais do livro após o fim da tragédia.