Um mangá que narra diferentes histórias, interligadas em detalhes, que ocorrem em um mesmo espaço e, pelo menos a maioria, no mesmo período de tempo. Assim pode ser definido, mesmo que resumidamente, o mangá “A Cidade da Luz”, de Inio Asano.
O período de tempo é demarcado por acontecimentos que se encontram ou são citados em outros contos. Alguns personagens de histórias diferentes até se encontram ou se conhecem, mas a relação deles não é esta. A relação que eles dividem é por coabitar o mesmo espaço: a Cidade da Luz.
Com volume único, o mangá deixa o drama tomar conta. Há desde dramas mais simples, como a insegurança com a vida adulta/profissional e a comparação com os amigos, até mais pesados, como abuso parental, suicídio, descaso familiar, entre outros.

Um dos grandes fortes da obra – além do traço belíssimo – é o diálogo dos personagens. Apesar de conversas que podem mexer com qualquer um, os diálogos são sóbrios, claros, aparentemente sinceros. É possível sentir um pouco da emoção que o autor tentou transmitir através daquelas palavras – apesar de nem sempre essa emoção ser boa.
Outro ponto que merece ser chamado a atenção é a construção dos personagens. Nenhum dos personagens demonstrados na obra é raso, todos têm profundidade – apesar da maioria, senão todos, ser melancólica.
Ademais, Inio Asano surpreende por apostar em um Japão não-fantasioso, o qual os fãs de mangás já estão acostumados a ver – até mesmo quando lemos mangás slice of life (que tem significado literal, são histórias mundanas, sem o fantástico). São histórias duras de famílias ou pessoas com problemas reais.

Apesar de duro, pesado, “A Cidade da Luz” é um mangá que vale a pena ser lido. É possível ter boas reflexões sobre a vida ao ter contato com a obra. No entanto, não indico para quem está com o emocional e/ou psicológico instável, assim como também não é o ideal para quem quer entrar no mundo dos mangás.